Atualidade

Reconhecimento do “Prato Certo” como boa-prática Europeia pela EU CAP Network

A Rede Europeia da PAC reconheceu a estratégia de educação alimentar ”o Prato Certo” como boa-prática de nível europeu, destacando o trabalho de anos que tem sido realizado pela Associação IN LOCO no Algarve e pelas parcerias regionais e nacionais unidas pelo direito a uma alimentação adequada e inspirada na Dieta Mediterrânica

«O Prato Certo» – Faça as escolhas certas à mesa

https://eu-cap-network.ec.europa.eu/good-practice/nutrition-sensitive-rural-development-make-smart-food-choices-project-portugal_en

A estratégia de educação alimentar que une a comunidade em torno de uma alimentação mediterrânica, saudável e sustentável

Contexto e necessidades

Embora em Portugal ainda exista uma presença importante do estilo de vida mediterrânico, classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, o afastamento dos seus princípios levou a uma ruptura entre produtores e consumidores e a uma perda de conhecimento sobre uma alimentação adequada e sustentável, baseada em produtos locais e sazonais, com repercussões na insegurança alimentar, na saúde pública e na sustentabilidade das atividades produtivas locais.

Os níveis preocupantes de insegurança alimentar e a fraca adesão à dieta mediterrânica foram cientificamente confirmados desde 2017, mas os resultados da investigação apontaram o caminho a seguir: aumentar a literacia alimentar na comunidade, com especial enfoque nas crianças, nos idosos, nos beneficiários de programas de ajuda alimentar, nos grupos vulneráveis e nos técnicos que trabalham com estes grupos, em parceria com produtores, autoridades locais e outros atores locais.

A estratégia adotada baseou-se numa campanha de comunicação a vários níveis sob o nome apelativo «O Prato Certo» (faça as escolhas certas à mesa) e num plano ambicioso de ações práticas de educação alimentar concebidas para cada um dos grupos-alvo identificados. Entre 2019 e 2022, esta estratégia de educação alimentar foi implementada com o apoio de uma equipa de nutricionistas, chefs, cientistas sociais, técnicos de intervenção social e de comunicação, e superou todos os objetivos inicialmente definidos, alcançando dezenas de milhares de pessoas.

Entre 2023 e 2025, esta estratégia foi continuada no terreno e replicada em todo o país no âmbito do Programa Nacional para uma Alimentação Equilibrada e Sustentável, financiado pela Rede PAC portuguesa, e de parcerias alargadas, unindo todos os GAL da região e a associação regional de municípios em torno das metodologias de educação alimentar consolidadas e da proximidade às comunidades .

Objetivos

O principal objetivo do projeto “Prato Certo” é ajudar as pessoas e comunidades mais vulneráveis a fazerem escolhas alimentares informadas no seu quotidiano. Para tal, é necessário fornecer informações sobre os produtos locais disponíveis em cada região e época do ano, os produtores que os fornecem e como podemos comprá-los diretamente, como podemos armazená-los, cozinhá-los de forma saudável e sustentável, reduzir o desperdício alimentar, preparar ementas semanais económicas e saudáveis, desfrutar da convivialidade de comer em conjunto, aprender mais sobre o estilo de vida mediterrânico e partilhar experiências com outros membros da comunidade.

Atividades e resultados

No período de 2023 a 2025 e apenas na região do Algarve, a parceria Prato Certo – Alimentação + Sustentável –  que uniu as Associações de Desenvolvimento Local IN LOCO, Terras do Baixo Guadiana e VICENTINA e a CIM AMAL, realizou as seguintes atividades e alcançou excelentes resultados:

• Atividades de educação alimentar para o ecossistema educativo, com 75 ações de educação alimentar realizadas, envolvendo 1 755 alunos, professores e funcionários;

• Atividades de educação alimentar para grupos vulneráveis e seus cuidadores, com 35 atividades de sensibilização e formação envolvendo 707 participantes.

• Atividades de sensibilização: 36 atividades de promoção da dieta mediterrânica em eventos públicos abertos à comunidade, com 1 254 participantes.

• Campanha de comunicação multiplataforma, incluindo:

Plataforma colaborativa online www.pratocerto.pt , com uma base de dados nacional georreferenciada de produtores e produtos, mercados e cestas; Base de dados nacional de materiais de educação alimentar e sistemas de produção sustentáveis (em parceria com o projeto PRR RNAES); ementas semanais, microsites para muitos projetos semelhantes em todo o país e centenas de receitas, dicas e sugestões para uma alimentação local, sazonal e sustentável, entre muitos outros recursos, com mais de 11 900 novos utilizadores, 47 000 visualizações, com uma base de dados nacional georreferenciada de produtores e produtos, mercados e cabazes; materiais de educação alimentar e sistemas de produção sustentáveis; ementas semanais, 10 microsites para projetos semelhantes em todo o país e centenas de receitas, dicas e sugestões para uma alimentação local, sazonal e sustentável, entre muitos outros recursos.

Redes sociais: páginas no Facebook e Instagram com um alcance de mais de 10 000 utilizadores e dezenas de milhares de visitas.

Publicações: 1.200 exemplares do Guia de Educação Alimentar «O Prato Certo» e 2.400 exemplares do livro «O Prato Certo. Faça escolhas alimentares inteligentes: saborosas, saudáveis e sustentáveis – Receitas e dicas»

Participação em eventos públicos, com atividades de demonstração que vão desde demonstrações culinárias a jogos educativos

Estes resultados correspondem a um único projeto regional. Se considerarmos o contexto nacional no âmbito do PNAES, podemos calcular o enorme impacto do programa, pois este modelo inspirou outras parcerias alargadas reunidas em projetos semelhantes, em 20 regiões NUTII de Portugal, no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Equilibrada e Sustentável (PNAES), financiado pela Rede PAC portuguesa

 Lições

O conjunto de atividades desenvolvidas no âmbito deste projeto destacou a sua relevância estratégica para sistemas alimentares sustentáveis, com base na promoção da literacia alimentar, na proximidade entre o consumo e a produção local e sazonal, na Dieta Mediterrânica e em práticas alimentares mais saudáveis, sustentáveis e acessíveis. A diversidade de ações, públicos e metodologias adotadas garantiu uma intervenção abrangente e coesa, alinhada com as necessidades reais das comunidades envolvidas.

A articulação entre educação, formação técnica, mobilização comunitária e comunicação institucional revelou-se fundamental para o reforço de uma cultura alimentar mais consciente, ligada ao território e promotora da saúde e do bem-estar. O envolvimento ativo de parceiros, técnicos, escolas, municípios e cidadãos reforçou a natureza colaborativa do projeto e demonstrou a sua capacidade de gerar impacto positivo em múltiplas dimensões.

Para além de alcançar todos os objetivos propostos, o projeto consolidou-se como uma referência regional e nacional, contribuindo para o reforço de competências, a criação de materiais didáticos inovadores e a divulgação de mensagens-chave de forma eficaz e adaptada a diferentes contextos.

Em síntese…

Num sistema alimentar equilibrado e sustentável, para além de princípios orientadores sólidos que foram validados ao longo do tempo, a comunicação e a confiança entre os vários elementos do sistema são o que garante a sua eficácia. Na estratégia de Educação Alimentar «fazer escolhas alimentares inteligentes», procuramos capacitar os consumidores para que façam escolhas alimentares informadas no seu quotidiano, com base nos princípios da Dieta Mediterrânica, aproximando consumidores e produtores, proporcionando um conhecimento aprofundado sobre o que comemos e sensibilizando para o enorme poder que os consumidores informados têm na orientação dos sistemas alimentares.

Confrontada com uma situação preocupante de insegurança alimentar na região do Algarve e um afastamento da Dieta Mediterrânica, classificada pela OMS como uma das mais saudáveis e equilibradas do mundo, a Associação IN LOCO lançou uma estratégia colaborativa de educação alimentar que mobilizou uma ampla parceria e inspirou outros territórios e parcerias a reconhecer a importância de aumentar a literacia alimentar como forma de consolidar sistemas alimentares equilibrados e sustentáveis para todos os seus elementos constituintes.

Lições para o futuro

A necessidade de trabalhar sistematicamente em questões de comunicação, tanto para os públicos-alvo como para a comunidade, e a importância de uma equipa técnica multidisciplinar e de parceiros locais que atuem como facilitadores dos processos de educação alimentar. O trabalho em rede, a nível local, regional e nacional, foi também particularmente importante para o desenvolvimento e a otimização de metodologias e ferramentas de intervenção, que devem ser sempre concebidas com vista à melhoria contínua.

As crescentes ameaças a uma alimentação adequada tornam fundamental dar continuidade a esta estratégia de educação alimentar, pelo que já está em análise pela Associação de Municípios do Algarve (AMAL) uma proposta de estratégia de intervenção nos 16 municípios do Algarve até 2030 e, a nível nacional, são muitas as vozes que apelam a uma estratégia nacional que, inspirada nos excelentes resultados no PNAES e do RNAES, contribuam para uma abordagem sistémica e holística da Alimentação, envolvendo consumidores, produtores e as suas organizações, a administração pública local, regional e nacional, as comunidades locais, os grupos vulneráveis e os seus cuidadores, atores fundamentais para a mudança de paradigma que esta estratégia visa estimular.