Ambiente

Duas caminhadas no Algarve Central convidam as comunidades a identificar problemas ambientais e pensar respostas para os seus territórios

Água, biodiversidade e conhecimento local são o ponto de partida para uma leitura participativa das paisagens de Santa Catarina da Fonte do Bispo e da Mesquita-Bengado

Nos dias 3 e 25 de outubro, duas iniciativas no âmbito do Gov.Água no Algarve Central, vão levar participantes a percorrer dois percursos, não apenas para conhecer o seu património hídrico e natural, mas sobretudo para observar, identificar e discutir os problemas ambientais que hoje afetam estas paisagens e as possíveis respostas para o futuro.

A água está profundamente inscrita na paisagem do Algarve Central. Está presente nas ribeiras, nas fontes e nas levadas, mas também nos sistemas agrícolas tradicionais, na biodiversidade e na memória das comunidades. Ao mesmo tempo, as alterações climáticas, a pressão sobre os recursos naturais e as transformações dos usos do território colocam novos desafios à sua conservação e gestão.

É neste contexto que Gov.Água no Algarve Central promove duas caminhadas interpretativas em geossítios, concebidas como momentos de conhecimento e participação.

Mais do que percursos pedestres, as iniciativas pretendem olhar para o território com quem o conhece e nele vive, cruzando conhecimento técnico, património local e experiência das comunidades para identificar problemas ambientais e discutir possíveis respostas de adaptação.

3 de outubro | Fontes da Umbria e Ribeira do Alportel

Neste dia a Associação In Loco promove a Caminhada Interpretativa das Fontes da Umbria e Ribeira do Alportel, em Santa Catarina da Fonte do Bispo, Tavira.

Com início às 09h00, no Parque de Merendas da Umbria, o percurso circular, de cerca de 4 km, com dificuldade fácil/média, permitirá conhecer as fontes históricas da Umbria e acompanhar a paisagem da Ribeira do Alportel, observando a relação entre a água, os habitats e as atividades humanas.

A caminhada será também um exercício de leitura participativa da paisagem: ao longo do percurso serão identificados problemas e alterações observáveis no território, discutindo-se os seus impactos e possíveis respostas, nomeadamente através de soluções de adaptação às alterações climáticas e de soluções baseadas na natureza.

A iniciativa pretende, assim, transformar o percurso num espaço de diálogo sobre o presente e o futuro da ribeira e dos ecossistemas que dela dependem.

A participação é gratuita mas sujeita a inscrição através do link https://forms.gle/MKyariJbUrx7QM766 

25 de outubro | Água e biodiversidade da Fonte do Cascalho

No dia 25 de outubro, será a vez da Mesquita-Bengado, em São Brás de Alportel, acolher outra caminhada.

O ponto de encontro será às 09h30, na paragem de autocarros da Circular, junto à Associação In Loco. O percurso circular, de cerca de 3 km, com dificuldade fácil/média, convida a percorrer os caminhos ancestrais da Mesquita-Bengado e a descobrir a riqueza hídrica e ecológica do Barrocal, entre antigas levadas, minas de água e solos ricos em cascalho e argila.

Ao longo do percurso será possível observar como a água condicionou e continua a influenciar a agricultura tradicional, a ocupação do território e a biodiversidade local. A caminhada servirá igualmente para identificar, com os participantes, problemas e pressões ambientais presentes no território, refletindo sobre os seus efeitos e sobre formas de os enfrentar.

A iniciativa é organizada pelo Município de São Brás de Alportel, em co-organização com a Associação In Loco, no âmbito do Gov.Água.

As inscrições são gratuitas e devem ser efetuadas através do email municipe@cm-sbras.pt

Recomenda-se calçado adequado para caminhada, proteção solar e garrafa de água reutilizável para ambos os percursos.

Conhecer para participar. Participar para transformar.

Estas iniciativas partem de uma ideia simples: as comunidades são também produtoras de conhecimento sobre os seus territórios.

A observação direta da paisagem, a memória associada às fontes e ribeiras, o conhecimento dos usos tradicionais da água e a experiência quotidiana de quem vive nestes lugares constituem informação fundamental para compreender as transformações que estão a ocorrer e identificar os problemas que exigem atenção.

Os participantes serão convidados a observar, identificar e reflectir:

  • Que problemas ambientais encontramos no território? 
  • O que mudou na relação das comunidades com a água? 
  • Que impactos têm as alterações climáticas sobre estes ecossistemas? 
  • Que elementos da paisagem importa preservar? 
  • Que soluções podem ser construídas ou reforçadas localmente? 

O objetivo é contribuir para uma leitura coletiva dos territórios, aproximando os cidadãos dos processos de conhecimento e gestão da paisagem e valorizando soluções de adaptação assentes nos recursos locais e na natureza.

Desta forma, procuramos ir além da sensibilização: criar condições para que o conhecimento produzido a partir do território e com as comunidades possam contribuir para uma melhor compreensão dos problemas e para a construção de respostas mais adequadas às especificidades de cada lugar.

O Gov.Água promove uma abordagem territorial e colaborativa aos desafios relacionados com a água, a paisagem, a biodiversidade e as alterações climáticas.

Através da articulação entre entidades públicas, organizações de desenvolvimento local, conhecimento técnico e científico e comunidades, o projeto procura reforçar a capacidade dos territórios para conhecer, antecipar e responder aos desafios ambientais, valorizando os recursos endógenos e promovendo processos participativos de construção de soluções.