Água Monchique fecha ciclo de sustentabilidade 2022–2025 com 27 das 35 metas cumpridas
A Sociedade da Água de Monchique publica o seu Relatório de Sustentabilidade 2025, a quarta edição, que encerra o ciclo de compromissos assumido em 2022. Das 35 metas definidas para o período 2022–2025, 27 foram cumpridas, cinco estão em andamento e três não foram alcançadas: o programa interno de mentoring, o objetivo de zero acidentes graves e o diagnóstico social dos fornecedores. A avaliação foi feita com base no estado de cada meta a 31 de dezembro de 2025 e nenhuma meta parcialmente concretizada foi contabilizada como cumprida.
As 35 metas estavam organizadas em quatro ambições: Desenvolver as Nossas Pessoas, Agir pelo Clima, Inovar para Impactar e Ser Transparente e Justo. A ambição climática foi a única integralmente cumprida, com oito metas em oito. O balanço chega num ano em que a empresa atingiu um volume de negócios de 25,3 milhões de euros e engarrafou 135,4 milhões de litros.
“A credibilidade de uma organização não se mede apenas pelas conquistas que celebra, mas também pela forma como reconhece os desafios que permanecem. Encerramos um ciclo, não uma ambição”, afirma Vitor Hugo Gonçalves, CEO da Água Monchique.
Uma fábrica eficiente. O desafio está na embalagem
O inventário de emissões de 2024, realizado com a Veolia segundo o GHG Protocol (Âmbitos 1 e 2), incluiu um exercício de benchmarking com o Beverage Industry Environmental Roundtable (BIER), na categoria de água engarrafada. A unidade industrial das Caldas de Monchique, com um processo integralmente elétrico, consome 2,1 kWh por hectolitro, face a 6,4 kWh/hL na referência setorial, e regista uma intensidade carbónica de 0,33 kg CO₂e/hL no Âmbito 2, contra 2,42 kg CO₂e/hL. Em termos relativos, consome cerca de 67% menos energia e emite cerca de 85% menos por hectolitro.
O relatório não se detém, porém, neste resultado. No setor da água engarrafada, 70 a 90% das emissões do ciclo de vida do produto têm origem nas embalagens, e o processo industrial representa apenas 5 a 15%. É por isso que a quantificação do Âmbito 3, que abrange embalagens, transporte e fim de vida, é assumida como o ponto de partida do próximo ciclo.
Neste domínio, a empresa apresenta uma gama construída em torno da circularidade. A Monchique Natura, a primeira garrafa portuguesa sem rótulos, produzida integralmente em PET reciclado, recebeu Ouro no Monde Selection em 2025. A Monchique Can, garrafa de alumínio infinitamente reciclável, foi distinguida com o Prémio Auchan, na categoria Embalagem. Os restantes formatos PET, à exceção do garrafão, incorporam 30% de rPET desde 2020, antecipando a meta europeia para 2030. O Ecopack Monchique de 10 litros, que reduz em 63% a utilização de plástico face a dois garrafões de cinco litros, ganhou em 2025 uma nova imagem com quatro paisagens da Serra de Monchique.
Pessoas e comunidade
A 31 de dezembro de 2025, a Água Monchique contava com 90 colaboradores e 40% dos cargos de gestão eram ocupados por mulheres. Todos os colaboradores têm formação em Sustentabilidade e em Ética, Canal de Denúncias e Prevenção da Corrupção, obrigatória desde o acolhimento. O objetivo de zero acidentes graves não foi atingido neste ciclo e o relatório assume-o como prioridade absoluta da política de segurança.
Na comunidade, a campanha “Água por uma Causa” prosseguiu em 2025: por cada Ecopack Solidário vendido, a empresa doou 0,25 € a três instituições, O Kastelo, a Palhaços d’Opital e a Acreditar. A empresa associou-se ainda ao projeto IN:FORMAT, da Fundação da Juventude, que até 2027 vai desenvolver as competências digitais de cerca de 8.000 alunos de escolas públicas do Algarve, e manteve o apoio a dezenas de iniciativas de saúde, educação, desporto e desenvolvimento local, a começar pelo concelho de Monchique.
Qualidade e reconhecimento
Em 2025, a Água Monchique obteve a certificação IFS (International Featured Standards), uma das normas mais exigentes em qualidade e segurança alimentar, e o certificado de conformidade ESMA com licença de utilização do Emirates Quality Mark, que abriu a entrada da marca nos Emirados Árabes Unidos. Renovou, pelo quarto ano consecutivo, o Estatuto Inovadora COTEC, foi distinguida com três estrelas pelo International Taste Institute e manteve os estatutos PME Líder e PME Excelência, ambos com referência a 2024.
O que transita para o próximo ciclo
O relatório identifica três aprendizagens que vão condicionar os próximos compromissos. A primeira é que uma meta sem ponto de partida, é apenas uma intenção: várias metas do ciclo foram formuladas sem indicador de base mensurável, pelo que cada nova meta deverá ter um valor de partida, uma unidade e uma fonte de dados verificável. A segunda é que as metas que dependem de pessoas, comportamentos e parceiros externos precisam de instrumentos e calendários próprios. A terceira é que a pegada relevante está fora da fábrica. Transitam para o próximo ciclo o mentoring interno, a segurança no trabalho, o diagnóstico social da cadeia de fornecimento, o plano de digitalização e a medição do Âmbito 3. A matriz de materialidade, resultante da auscultação de stakeholders de 2023, será renovada no arranque do novo ciclo.
“A sustentabilidade não se afirma pelo que se promete. Revela-se pelo que se faz, comprova-se pelo que se mede e ganha credibilidade na coragem de prestar contas publicamente”, sublinha Ricardo Ramos, Head of Sustainability da Água Monchique.
O Relatório de Sustentabilidade 2025 está disponível aqui.


