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D. Vitorino Soares já é o novo Bispo de Faro (Algarve)

D. Vitorino José Pereira Soares iniciou ontem, sábado, 19 de setembro de 2026, o seu ministério como Bispo de Faro (Algarve), na Eucaristia celebrada às 11h30 na Sé de Faro. A tomada de posse canónica concretizou-se no momento em que se sentou na cátedra, tornando-se o 34.º bispo da diocese desde a transferência da sede episcopal de Silves para Faro, em 1577. A celebração reuniu uma das maiores assembleias de que há memória naquela catedral, acompanhada também no exterior e por transmissão em direto.

Do Paço Episcopal à Sé: os ritos preparatórios

Às 10h50, o bispo eleito saiu do Paço Episcopal em direção à Sé, acompanhado pelo Núncio Apostólico em Portugal, pelo Arcebispo de Évora e pelo Administrador Apostólico da Diocese do Algarve. À porta da catedral foi acolhido pelo Deão do Cabido, o cónego Mário de Sousa, que lhe apresentou os restantes membros capitulares e lhe deu a cruz a beijar. O diácono Luís Galante apresentou-lhe a relíquia de São Vicente, padroeiro da Diocese do Algarve.

Seguiu-se um momento de oração em silêncio na Capela do Santíssimo Sacramento, onde foram apresentados os restantes membros do Colégio dos Consultores. Após a oração do Deão pelo novo bispo, D. Vitorino Soares realizou o rito da profissão de fé e o juramento de fidelidade. Regressou depois ao Paço Episcopal, de onde partiu o cortejo litúrgico para a catedral.

Bula apostólica, báculo e cátedra

A celebração começou sob a presidência do Arcebispo Metropolitano de Évora, D. Francisco Senra Coelho, que, após uma palavra de saudação, pediu que fosse lida a bula apostólica do Papa Leão XIV, documento pontifício que formaliza a nomeação. A leitura foi feita pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso.

Seguiu-se a entrega do báculo diocesano ao bispo eleito e a sua condução à cátedra por D. Francisco Senra Coelho. A cátedra, que dá nome à catedral, é símbolo da missão de ensinar, governar e santificar. Ao sentar-se nela, D. Vitorino Soares assumiu a missão que lhe foi confiada pelo Papa e passou a ser, para todos os efeitos canónicos, Bispo de Faro (Algarve). O momento foi assinalado pelo toque dos sinos da Sé.

Saudaram-no, em nome da Diocese, dois membros do Colégio dos Consultores e representantes dos presbíteros, dos diáconos e dos consagrados, além de três leigos, um por cada uma das regiões pastorais: barlavento, centro e sotavento. D. Vitorino Soares assumiu depois a presidência da Eucaristia.

«Continuamos uma história de graça que pertence a Deus»

Na primeira homilia como Bispo do Algarve, proferida a partir do diálogo entre Jesus e Pedro no lago de Tiberíades — «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21,17) —, D. Vitorino Soares sublinhou que «a Igreja não começa hoje», evocando a longa tradição cristã algarvia, consolidada pela antiga Sé de Silves, entre 1189 e 1577, e renovada na Sé de Faro a partir de D. Jerónimo Osório. «Hoje não se inaugura uma nova igreja, continuamos sim uma história de graça que pertence a Deus», afirmou.

Recordou os bispos do Porto que passaram pelo Algarve, D. António Barbosa Leão e D. Florentino Andrade e Silva, e D. Júlio Tavares Rebimbas, que o ordenou sacerdote a 14 de julho de 1985 — dia e mês, também, da sua nomeação para a Diocese do Algarve. Agradeceu «a obra e a serenidade de D. Manuel Madureira Dias» e pediu a D. Manuel Quintas, a quem sucede, o seu «manto de sabedoria, de fortaleza e de prudência».

O novo bispo insistiu que «antes da missão do Bispo, está sempre a iniciativa de Deus»: «O Bispo não substitui Cristo. Não é o dono do rebanho. Não pertence a si mesmo.» É, disse, «apenas servidor daquele que continua a dizer: “As minhas ovelhas”», acrescentando: «Eu, como Bispo, estou chamado a aprender o olhar do Bom Pastor.»

Sobre o exercício do ministério episcopal, declarou que «na Igreja, a autoridade nunca é domínio, é serviço», que «o governo nunca é poder, é cuidado» e que «a grandeza nunca consiste em ser servido, mas em servir». Defendeu que «uma Igreja que acolhe, escuta, acompanha e evangeliza é um esforço para todo o povo de Deus». Notou ainda que Jesus não interroga Pedro sobre competências, mas apenas sobre o amor: «Sem amizade com Cristo, o pastor transforma-se num simples gestor.»

Reconheceu no Algarve «uma vocação muito própria»: «É terra de encontro, terra aberta ao mar, terra onde chegam pessoas de todos os continentes, terra onde convivem diferentes culturas e credos religiosos.» Um quadro que descreveu como «um enorme desafio pastoral, mas também uma extraordinária oportunidade missionária».

Assumiu como lema o Salmo 126 — «Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem» —, que o acompanha desde a ordenação presbiteral, recordando que «toda a obra verdadeiramente fecunda tem a sua origem em Deus». Citando a pagela distribuída na celebração, afirmou: «Chego como sucessor dos Apóstolos, não para iniciar uma obra que me pertence, mas para servir a obra que é de Deus.» E exortou a Diocese a permanecer «alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração», acrescentando: «e generosos no serviço aos irmãos.» Anunciou, para o próximo sábado, a Assembleia Diocesana.

Auto de posse e primeiro decreto

Depois da oração da comunhão, o chanceler da Diocese, cónego Rui Barros Guerreiro, leu o auto da tomada de posse, assinado pelo novo bispo, pelo Arcebispo Metropolitano de Évora, pelo Núncio Apostólico, pelo Bispo emérito do Algarve, pelo Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Virgílio Antunes, pelo Cardeal D. Américo Aguiar, pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, pelo Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, por representantes do Colégio dos Consultores, pelo Deão do Cabido e pelo chanceler.

Seguiu-se a leitura do primeiro decreto de D. Vitorino Soares, no qual confirmou e manteve, segundo o direito, os responsáveis nos ofícios e funções eclesiais que requerem nomeação episcopal, medida que assegura continuidade e estabilidade pastoral no início do novo episcopado.

Uma cruz peitoral com as marcas gráficas da diocese

O Conselho Pastoral Diocesano ofereceu ao novo bispo uma cruz peitoral, entregue por Cláudia Vieira e Sónia Andrez. A peça de ourivesaria, em prata, integra a dourado, no seu interior, a cruz escavada que faz parte do logótipo da Diocese do Algarve. Cláudia Vieira desejou que seja «sinal de fortaleza de consolo e amparo que é sempre o amor de Jesus» e recorde ao bispo que é «enviado ao Algarve para, com Jesus, oferecer a sua vida por este seu povo», reavivando o essencial do ministério episcopal: «ser em tudo sacramento do amor de Deus como pastor, como guia e como pai». D. Vitorino Soares agradeceu a oferta e, mostrando a peça à assembleia, afirmou: «É uma cruz à minha medida.»

No final, o novo bispo agradeceu à comissão de acolhimento e tomada de posse, «o que rezaram antes de conhecer o novo bispo e, sobretudo, depois disso», ao coro e músicos, à Câmara Municipal de Faro, a todos os presentes e, visivelmente emocionado, à sua «família de sangue».

Transmissão e participação

A Eucaristia foi concelebrada pela grande maioria dos bispos portugueses e por presbíteros das dioceses do Algarve, do Porto e de outras dioceses portuguesas. A celebração foi transmitida em streaming, em parceria entre o jornal Folha do Domingo e a Mais Algarve, nas plataformas habituais dos dois órgãos de informação, da Diocese do Algarve e de diversos meios de comunicação social, tais como o Canal de TV Canção Nova, Renascença e Rádio Maria. Foi ainda instalado um ecrã no Largo da Sé, para acompanhamento das pessoas que não conseguiram entrar na catedral.

Nota biográfica

Nascido a 19 de outubro de 1960, em Luzim, Penafiel, D. Vitorino Soares foi ordenado sacerdote para a Diocese do Porto a 14 de julho de 1985. Foi formador e prefeito de seminários, capelão militar, diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral da Juventude e pároco em Paredes. Nomeado Bispo Titular de Gisipa e Auxiliar do Porto em 2019, foi reitor do Seminário Maior do Porto e presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios. Foi eleito Bispo do Algarve pelo Papa Leão XIV a 14 de julho de 2026

Foto: Jorge Gomes