Desporto

Tavira-Crédito Agrícola brilha  no dia de sonho de Rui Oliveira 

Lourinhã-Queluz, eis a primeira etapa em linha da 87.ª edição da Volta a Portugal Jogos Santa Casa, que viveu esta tarde um elétrico final na chegada ao Palácio Nacional de Queluz. 

A Camisola Amarela deixou de pertencer a Julius Johansen, mas fica na equipa da UAE Team Emirates XRG: em estreia na Grandíssima, Rui Oliveira cumpriu um sonho e é ele o novo líder da Classificação Geral, isto apesar de não ter vencido esta primeira etapa – na reta da meta, o brilho maior foi da Tavira-Crédito Agrícola. 

Mas já lá vamos. 

Cinco corajosos lançaram-se para a fuga 

Não foi preciso esperar muito para se ver a formação da fuga do dia: ao quilómetro dois, cinco corredores lançaram-se na frente, e por lá andaram durante muito tempo: Gabriel Silva (Localiza Meoo / Swift Pro Cycling), Iker Bonillo (Feira dos Sofás-Boavista), Patrick Welch (APS Pro Cycling by Team Cadence Cyclery), Diogo Pinto (Credibom / LA Alumínios / Marcos Car) e Andrey André (GI Group Holding-Simoldes-UDO). 

No pelotão ficaram os homens rápidos, com intenções concentradas nos últimos metros, e por isso a fuga andou sempre a rondar os dois minutos de vantagem, com a UAE Team Emirates XRG – sobretudo – a trabalhar na perseguição. 

Bonillo – vencedor do Prémio da Combatividade EBRO – acabou por ser o elemento de referência nas primeiras contagens intermédias da tarde. Foi o mais rápido na meta volante bonificada de Silveira e na de Mafra. Na do Palácio Nacional de Mafra foi segundo, atrás de Welch. 

Na subida a Montelavar, coincidente com uma contagem de montanha de terceira categoria, a corrida começou a agitar. Na fuga, descolaram Gabriel Silva e Diogo Pinto – este viria a recolar pouco depois – e o pelotão aumentou o ritmo, numa altura em que a Caravana já estava dentro dos últimos 40 quilómetros da tirada. 

Bonillo voltou a ser o mais rápido nessa primeira contagem, mas pouco depois, na outra subida do dia – Alto de São Pedro de Sintra, também de terceira categoria –, já o pelotão seguia compacto. 

Oscar Rota, colega de Bonillo na Feira dos Sofás-Boavista, foi quem mais pontuou nessa ascensão e garantiu a liderança da Classificação de Montanha – Camisola Continente, em igualdade precisamente com Bonillo.  

A partir daí, como costuma dizer-se na gíria, foi sempre a abrir. Cerca de 20 quilómetros intensos até à meta, com muita velocidade e luta por posicionamento.  

Tavira-Crédito Agrícola não deu hipóteses no sprint, Rui Oliveira cumpriu um sonho 

A batalha final acabou por ser ganha pelo Tavira-Crédito Agrícola, com muita mestria. Miguel Salgueiro e Francisco Campos mostraram força e confiança nas pernas, e o primeiro lançou o segundo para a estreia a vencer na Grandíssima. Entre os dois, só mesmo Daniel Cavia (BurgosBurpellet-BH) foi capaz de intrometer-se. 

“A nível da Volta a Portugal, vencer uma etapa é tudo novo. É muito especial, a nossa Volta. É o objetivo de toda a gente, foi mesmo um dia muito especial. Estou muito feliz, assim como a equipa”, afirmou Campos. 

Logo atrás chegou Rui Oliveira, o novo Camisola Amarela Jogos Santa Casa: o português não alcançou o tão desejado triunfo, mas aproveitou a falta de pernas do colega Julius Johansen na última subida do dia para subir à liderança da Geral. O corredor luso assumiu que foi o cumprir de um sonho. 

“Estou sem palavras. Antes de mais, dar os parabéns ao Francisco e ao Tavira, ganharam de uma maneira magnífica. Merecem bastante. Obviamente que o meu objetivo era ganhar uma etapa, nunca sonhei vestir de Amarelo. Mostrei boas pernas, mas tenho de agradecer à minha equipa o apoio que me deram desde o quilómetro zero. Poderia ter vencido, mas parabéns ao Francisco, ao Miguel e ao Tavira. Mas sim, foi o concretizar de um sonho”, confessou. 

A Camisola Laranja – Galp, dos pontos, fica com Francisco Campos, enquanto a Camisola Branca Paredes Rota dos Móveis, da juventude, é mais uma classificação cujo dono pertence ao autocarro da UAE Team Emirates XRG: Adrià Pericas. 

A Volta a Portugal Jogos Santa Casa prossegue esta sexta-feira, no sul do país: a segunda etapa tem início em Sines e final em Albufeira, num dia que promete mais um final a ser disputado pelos homens rápidos do pelotão. 

Sines – Albufeira 

Partida: 13h05  

Chegada prevista: 17h27 

180,4 km