Portimão volta a reviver azáfama da lota no arranque da 30.ª edição do Festival da Sardinha
O Festival da Sardinha caminha para a emblemática 30.ª edição com a recriação da Descarga da Sardinha a marcar o seu arranque, no dia 4 de agosto, entre as 9h30 e as 11h30, no Cais Gil Eanes. A iniciativa levará novamente a população à zona ribeirinha para reviver o ambiente da antiga faina piscatória.
Promovida desde 2019 pela Câmara Municipal de Portimão, através do Museu de Portimão, esta experiência aproxima a população de uma vivência autêntica e envolvente, profundamente ligada à identidade portimonense.
A recriação conta com cerca de 80 figurantes que dão vida às personagens típicas da época, recriando o quotidiano da antiga lota. Após o sucesso da edição de 2025, o “Alar da Rede” regressa como complemento desta memória coletiva.
Quem não tiver possibilidade de se deslocar à Zona Ribeirinha neste dia, poderá assistir à transmissão em direto na página oficial de Facebook do Município de Portimão: Facebook/portimaomunicipio.
Voluntários, “Alar da Rede” e participação da GNR reforçam a recriação
A “lufa-lufa” da pesca chega este ano logo pela manhã, em horário ajustado à maré. A iniciativa volta a contar com a participação de dezenas de voluntários que, ano após ano, aceitam o desafio de integrar esta experiência, dando vida a uma recriação que não seria possível sem o seu contributo.
Os figurantes, provenientes de associações locais e da comunidade, ensaiam desde 15 de julho sob a direção do ator Vítor Correia.
Uma das novidades desta edição é o reforço da colaboração da Guarda Nacional Republicana (GNR), que, além de ceder a farda da antiga Guarda Fiscal, integrará um dos seus elementos na recriação.
Recorde-se que esta iniciativa recebeu, em 2020, uma menção honrosa da APOM – Associação Portuguesa de Museologia, na categoria “Inovação e Criatividade”.
Da chegada das traineiras ao “Alar da Rede”
No dia 4 de agosto serão evocadas as atividades da antiga lota e da pesca do cerco, desde a chegada das traineiras carregadas de sardinha, anunciadas pela sirene, passando pela venda do “peixe da companha”, pelo leilão “à boca” e pela descarga do pescado, marcada pela intensa azáfama dos descarregadores, compradores, curiosos e crianças que tentavam furtar algumas sardinhas.
A recriação volta igualmente a integrar o “Alar da Rede”, ao som do canto de trabalho do “Arribalé”, mostrando a forma como a rede era puxada para bordo pela tripulação, numa atividade baseada no trabalho de campo de Michel Giacometti. O momento contará com a participação da comunidade e da tripulação do “Travesso”.
Para esta edição serão utilizados 600 quilos de sardinha fresca, oferecida pela Docapesca – Portos e Lotas S.A., repartida pelas embarcações “Arrifana”, “Portugal Jovem” e “Travesso”, todas ainda em atividade.
Durante a recriação serão ainda distribuídas 3.000 senhas para degustação gratuita de duas sardinhas no pão e uma bebida, válidas entre 4 e 9 de agosto, a partir das 18h00, num dos cinco espaços de restauração do Festival da Sardinha.
Memória e identidade
A recriação da Descarga da Sardinha celebra um dos episódios mais marcantes da história da pesca em Portimão, preservando a memória coletiva da antiga lota, que funcionou na Zona Ribeirinha até 1987.
A iniciativa envolve atualmente as traineiras “Arrifana”, “Portugal Jovem”, “Travesso” e a embarcação enviada “Moira”, reforçando a autenticidade desta reconstituição histórica.
A recriação da Descarga da Sardinha e a 30.ª edição do Festival da Sardinha, que inaugura ao final da tarde de 4 de agosto, integram a programação “É Verão, é Portimão”. Toda a informação sobre o Festival pode ser consultada em www.festivaldasardinha.pt