Educação

(In)formar para a igualdade: escola de Loulé recebe sessão para as famílias numa iniciativa pioneira no ensino público 

A Escola EB1/JI Professor Manuel Martins Alves, em Loulé, acolheu, no passado dia 16 de junho, uma sessão para famílias integrada no projeto “(In)Formar para a Igualdade”. Esta iniciativa pioneira no ensino público, inspirada num modelo desenvolvido numa instituição de ensino privada em Lisboa, visa promover uma cultura cívica voltada para a igualdade e para a não-discriminação desde a infância, nomeadamente junto das crianças da Educação Pré-Escolar e do 1º Ciclo do Ensino Básico.

O projeto nasce de uma parceria entre a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e a Câmara Municipal de Loulé, contando com o acompanhamento e monitorização científica de uma equipa de investigação da Universidade do Algarve. Baseado na premissa de que “é preciso uma aldeia para educar uma criança”, como sublinhou Isabel Cruz, responsável, da CIG, o projeto envolve ativamente docentes, não docentes, pais/mães e encarregado/as de educação, para alinhar as práticas locais do ensino público à Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não-Discriminação e à Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania.

A ação, que também faz parte das políticas do Município para esta temática, arrancou no ano letivo de 2024/25 e estende-se por três anos letivos. Helena Gomes, conselheira externa da Câmara de Loulé para a Igualdade, recordou o historial da iniciativa e o desafio que está a ser aplicar a mesma metodologia na rede pública. O percurso formativo, fundamental em todo o processo, iniciou-se de forma gradual em 2024. No primeiro ano, os/as docentes da escola e pessoal não docente realizou focaram-se na autorreflexão sobre as assimetrias que existem na sociedade e na necessidade de as diluir. No presente ano letivo, o objetivo passou a ser a transposição destes conceitos para as práticas letivas, tanto na sala de aula como no espaço da escola, prevendo-se, para o próximo ano letivo, – o último do projeto -, o alargamento da formação aos/às professores/as das AECs, à direção e a outras escolas, apostando-se ainda numa linguagem mais inclusiva e na visibilidade do feminino.

Os resultados do primeiro ano de implementação foram apresentados pelo investigador António Guerreiro e pela investigadora Maria Leonor Borges, da Universidade do Algarve, com base num estudo que envolveu 235 crianças do pré-escolar, 2º e 4º anos, 43 profissionais docentes e não docentes e 205 pais/mães e encarregados/as de educação, recorrendo a inquéritos, grupos focais e observação direta. As conclusões revelam que abordar estas temáticas é mais fácil na Educação Pré-Escolar do que no 1º Ciclo do Ensino Básico. Por outro lado, seja em termos dos brinquedos e brincadeiras ou na perceção no plano das profissões, ainda persiste uma diferenciação entre e meninos e meninas, sendo que o contexto familiar revelou-se como o ambiente com maior diferenciação nas atividades. 

A monitorização do projeto continuará até ao final dos três anos, estando previsto o relatório com as conclusões globais.

O trabalho realizado nos últimos anos começa já a dar frutos. Exemplo disso mesmo é o conjunto de trabalhos expostos no pavilhão da escola e as apresentações realizadas pelos alunos e pelas alunas durante a sessão que espelham bem a importância da igualdade plena entre homens e mulheres.