Câmara de Loulé abriu as portas do salão nobre para receber os “campeões” do louletano
O Salão Nobre dos Paços do Concelho de Loulé abriu as portas, na passada quarta-feira, para uma homenagem à equipa sénior de futebol do Louletano Desportos Clube pela promoção à Liga 3. O evento reuniu atletas, equipa técnica, dirigentes, executivo municipal e amigos do clube, numa celebração pautada por memórias históricas e apelo a um ainda maior apoio ao clube na nova temporada.
A sessão solene abriu com uma intervenção sentida de Gilson Pagani, figura histórica do clube e que é hoje o seu diretor geral, que recordou com nostalgia os tempos áureos das décadas de 80 e 90, período em que o Louletano militava na II Divisão. Na altura, o atual presidente da Câmara de Loulé, Telmo Pinto, fazia parte do plantel, ao lado de Pagani, Eduardo Pires, Jorge Guerra ou João Pedro Caliço, mas também de atletas de I Divisão e internacionais de renome, como o bicampeão mundial de juniores brasileiro Mauricinho. Pagani relembrou o mítico jogo contra o FC Porto, “que nunca vai sair da memória de ninguém”. Um empate 2-2 em casa, em partida a contar para a Taça de Portugal, no qual os algarvios se bateram de igual para igual. “Estávamos com um frio estômago, mas quando o Rosa Santos começou o jogo o perfume teve que exalar…”.
Relativamente ao momento atual, o diretor sublinhou a exigência do último campeonato. “O nosso fabuloso MisterMiguel (Valença) conseguiu unir o grupo e chegámos aqui com dignidade, lealdade, raça e ânimo. O Louletano é muito mais do que pensam, é conhecido no Brasil e em Angola”, afirmou, acrescentando ainda: “No Louletano ninguém desiste! Se tivéssemos desistido em janeiro, nunca estaríamos aqui!”.
O antigo jogador destacou ainda o percurso do atual presidente da Autarquia, que foi seu companheiro dentro das quatro linhas, como um exemplo a seguir: “Naquela altura, os miúdos entravam mudos e saiam calados do balneário. E um dia, chegou ao balneário um miúdo vindo do Quarteirense, magrinho, focado e elétrico, sempre a dar a opinião dele. Estudou, formou-se em Engenharia e depois o bichinho da política pegou ele. Ele nos deu esse exemplo, temos que estar focados, as oportunidades aparecem e quando a porta abre temos que entrar por ela”, lembrou Pagani.
Por seu turno, o presidente do Louletano Desportos Clube, António do Adro, enalteceu a importante parceria com o investidor/patrocinador Hugo Garcia, elogiou o trabalho e empenho da equipa diretiva que o acompanha, lembrando ainda o ecletismo do clube que move dezenas de pessoas diariamente na natação, ginástica, futsal ou triatlo.
António do Adro manifestou a sua satisfação por ter na presidência do Município alguém que conhece profundamente o clube, mas não escondeu algumas necessidades atuais. “Sei das dificuldades em termos de campos para a formação. Loulé só voltará a ser grande no desporto quando tiver mais infraestruturas”, alertou. O líder do clube garantiu ainda que a equipa continuará a jogar no Estádio Algarve, agora com os jogos a serem transmitidos pela televisão (Canal 11), mas que as despesas serão maiores, sobretudo devido às deslocações. “A Câmara Municipal sempre nos ajudou muito, mas este ano vamos chatear-te um bocadinho mais, Telmo!”, avisou.
A encerrar a cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, dirigiu-se diretamente aos jogadores, apelidando-os de “verdadeiros obreiros da vitória e os grandes heróis”. O autarca aconselhou o plantel a desfrutar do momento, lembrando que quem consegue fazer de um hobby a sua profissão é um “felizardo”. Recuando ao seu tempo de atleta, partilhou histórias de balneário: “Só o Benfica tinha um autocarro melhor do que o nosso. Num ano fizemos 12 viagens às Ilhas. O Mauricinho ganhava 1100 contos e eu 50 contos. Há muita carolice e gente a trabalhar nos bastidores para isto resultar”.
Assumindo as carências apontadas pelo líder do clube, Telmo Pinto reconheceu que o concelho está “deficitário em alguns equipamentos”, mas sublinhou a grandeza desportiva de Loulé, visível nas múltiplas modalidades, campeões e atletas olímpicos. O edil concluiu destacando o papel social e cívico da instituição: “Foi nesta casa que muita gente foi formada e seguiu o caminho certo na vida. Esta entidade é altamente responsável pela formação de homens e mulheres deste concelho”.