Aposta no capital natural e mobilidade sustentável reforça compromisso com neutralidade carbónica em Loulé
A Câmara Municipal de Loulé realizou, na passada terça-feira, 19 de maio, no Cineteatro Louletano, a 11ª Reunião Plenária do Conselho Local de Acompanhamento da Ação Climática. Subordinado ao tema “O Caminho de Loulé para a Neutralidade Carbónica”, o evento serviu para debater as estratégias de ação climática no concelho, integrando a ciência, o poder local, as empresas e os cidadãos na construção de soluções sustentáveis.
Este ano, este fórum ambiental focou-se na reflexão sobre o trabalho em torno de duas grandes prioridades estratégicas. Por um lado, a biodiversidade como capital natural, deixando a natureza de ser vista apenas como património a preservar, mas também reconhecendo-a como um ativo estratégico e essencial para o território. E, por outro lado, a importância da mobilidade urbana sustentável para a redução das emissões, diminuindo a dependência do automóvel, e tornando as cidades mais acessíveis e com melhor qualidade de vida.
Na sessão de abertura, o presidente da Autarquia, Telmo Pinto, sublinhou que as políticas ambientais e climáticas não são um tema acessório, mas sim “uma condição de futuro” fundamental para a qualidade de vida da população. O autarca defendeu uma visão integrada que une o ambiente, a economia e a sociedade, destacando que a eficácia da transição verde depende diretamente da justiça social. “Não existe neutralidade carbónica sem coesão territorial. Não existe ação climática eficaz sem justiça social”, afirmou.
Durante a iniciativa, Telmo Pinto destacou algumas áreas que têm sido estratégicas para o desenvolvimento sustentável do território louletano. Em relação à proteção costeira e do litoral, recordou a recente operação de reforço e realimentação das areias das praias no troço entre Quarteira e o Garrão, “uma intervenção essencial para proteger pessoas, infraestruturas, atividades económicas e o património natural”. Neste momento, o Município e a APA – Agência Portuguesa do Ambiente estão já a trabalhar na reestruturação dos molhes de Quarteira e em novas intervenções de proteção costeira.
No campo da gestão eficiente da água, depois de um período de seca extrema que deixou a região em alerta, o foco da Autarquia de Loulé é a redução de perdas nas redes de abastecimento, apostando em soluções inteligentes de rega e na retenção e aproveitamento deste recurso.
Para Telmo Pinto, ainda mais exigente é a mudança necessária na gestão de resíduos. “Ainda produzimos demasiado. Ainda desperdiçamos demasiado. Ainda reciclamos pouco”, sustentou, alertando para a proximidade do limite da capacidade do aterro sanitário.
Na mobilidade sustentável, o presidente falou da necessária “abordagem gradual” para a rede de ciclovias, focada primeiro na criação de hábitos de utilização que permita aferir os fluxos reais para levar a cabo o investimento.
A Autarquia mantém firme o propósito de combate à pobreza energética e, neste âmbito, o reportou-se aos projetos em curso nas escolas do concelho, visando melhorar o conforto térmico e a eficiência energética dos edifícios.
A fechar o seu discurso, Telmo Pinto reiterou que o caminho para a neutralidade carbónica exige investimento e a mobilização de toda a comunidade, deixando claro que Loulé assume a ambição de “liderar” este processo rumo a um território mais verde, resiliente e preparado para o futuro.
A sessão, moderada pela jornalista especializada em comunicação ambiental, Catarina Canelas, contou com o painel “Investir na Natureza: Caminhos para a Neutralidade Carbónica em Loulé”, com a participação de Regiane Borsato, do Life Institute Global, e Nuno Oliveira, da Natural Business Intelligence. Naquele que é o município português com maior diversidade de flora, falou-se de biodiversidade, do capital natural enquanto ativo para municípios e investidores e do papel dos ecossistemas nas decisões de futuro dos territórios.
Em foco esteve também o Guia de Investimento em Capital Natural no Concelho de Loulé e os 7 hubs que se encontram neste território.
A “Mobilidade Urbana Sustentável no Município de Loulé” juntou, no mesmo painel Paula Teles, da Mobilidade e Planeamento do Território, Lda (MPT), Pedro Ribeiro da Silva, da Rede de Cidades e Vilas que Caminham, e David Pimentel, vice-presidente da Câmara de Loulé. Este responsável fez a apresentação do sistema público de bicicletas partilhadas do Município de Loulé, uma das apostas para promover a mobilidade suave neste concelho.
“Vai de Vela” é o nome do Loulé Bike Sharing que será implementado nos principais aglomerados urbanos, nomeadamente em Almancil, Vale do Lobo, Quinta do Lago, Loulé, Quarteira e Vilamoura (onde irá arrancar o projeto). Trata-se de um sistema que contará com 490 bicicletas 100% elétricas, 86 estações e 1032 docas.
Como frisou David Pimentel, “o sistema não vai excluir ninguém mas irá diferenciar o utilizador ocasional do utilizador regular”. Num concelho que conta atualmente com 60 kms de ciclovias, o objetivo é que, até 2030, suba de 1% para 10% a população que privilegie a mobilidade ciclável.
Durante a tarde, os trabalhos seguiram com dois Workshops participativos, dedicados aos dois temas, descarbonização da economia e mobilidade.
Refira-se que esta sessão plenária do CLA constituiu o momento final da Semana do Clima, marcada por um programa de atividades que teve, entre muitas outras iniciativas, uma Caminhada pelo Clima com Plogging, em que os quase 50 participantes deram o seu contributo a apanhar vários resíduos durante o percurso; uma conferência com alunos da Escola Secundária de Loulé e da EB2,3 Padre João Coelho Cabanita que juntou os “Jovens pelo Clima”, numa troca de ideias sobre os desafios das alterações climáticas; e ainda um Mercado de Trocas na Feira Social, iniciativa que destacou a importância da economia circular.