Paraíso de los Negros com María Pagés Compañia no Teatro das Figuras
Paraíso de los Negros é uma coreografia flamenca que se alimenta da tensão entre os princípios de liberdade e autoridade que atravessam Poeta em Nova Iorque, de Federico García Lorca; da essência dos opostos presente na obra homónima de Carl Van Vechten; da filosofia telúrica da negritude de Léopold Sédar Senghor; e da reivindicação do desejo negro de Nina Simone. A negritude surge aqui como um eco cúmplice, onde ressoam conflitos que mantêm a Humanidade refém da sua natureza assimétrica.
Paraíso de los Negros é uma obra sobre a busca perpétua da felicidade. Explora os limites e limitações humanas que, assumindo diferentes rostos, enlameiam e contaminam o caminho do direito ao desejo; ausculta figuras e aparências, sempre líquidas e inaprensíveis, que tolhem o fôlego do livre-arbítrio; e dialoga com barreiras que se impõem como guilhotina sobre o pescoço das utopias ou como imagens, pensamentos e sentimentos que se erguem como muralhas para invisibilizar o Outro. O Outro como extensão do desejo e não como inimigo.
Aqui, o princípio lorquiano da liberdade é um pássaro preso a um galho untado de cola.
Ficha artística e técnica:
Direção e cenografia – María Pagés, El Arbi El Harti
Coreografia, direção musical e figurinos – María Pagés
Dramaturgia – El Arbi El Harti
Música – Rubén Levaniegos, David Moñiz, Sergio Menem, María Pagés
Élégie de Fauré – Adaptação e arranjos – Sergio Menem
Letras – El Arbi El Harti
Desenho de iluminação – Pau Fullana
Desenho de som – Enrique Cabañas
Baile – María Pagés
Cante – Ana Ramón, Cristina Pedrosa
Guitarra – Rubén Levaniegos
Violoncelo – Sergio Menem
Violino – Graci del Saz
Percussão – Txema Uriarte
Distribuição – Bridge to Arts