Fórum ANTF 2026: do rigor defensivo à arte de atacar, o jogo ganha forma no relvado
O Fórum ANTF 2026 teve início esta segunda-feira, 30 de março, em Albufeira. Reunidos mais de mil treinadores para dois dias de reflexão em torno do presente e do futuro do treino em Portugal, juntando alguns dos mais reconhecidos técnicos nacionais na partilha das suas experiências.
A tarde do Fórum ANTF 2026 confirmou o evento como um verdadeiro laboratório de conhecimento aplicado, com três blocos de workshops dedicados às diferentes fases do jogo, tanto no futebol como no futsal, envolvendo alguns dos principais treinadores nacionais e cerca de 1100 participantes ao longo da edição.
No futebol, o primeiro momento foi dedicado à Organização Defensiva, com João Pedro Sousa a conduzir uma sessão prática no Estádio Municipal de Albufeira. Perante a equipa de formação do Imortal DC, o técnico destacou os princípios que sustentam equipas equilibradas, compactas e seguras, sublinhando a importância do detalhe e da ocupação racional dos espaços como base para competir ao mais alto nível.
Em paralelo, no futsal, o Pavilhão Desportivo de Albufeira recebeu o workshop liderado por Luís Conceição, selecionador nacional feminino, com a participação da seleção de futsal da AF Algarve. Numa abordagem centrada no desenvolvimento individual dentro do coletivo, o treinador foi claro: “temos de dedicar muito tempo em relação ao que se comete mais erros, sobretudo posicionais e individuais”. Defendendo a fragmentação do jogo como ferramenta pedagógica, reforçou a importância da repetição: “é insistir, insistir, insistir — do 1×1 ao 5×5 — para que os jogadores sejam coletivamente melhores”.
O segundo bloco trouxe o foco para a Transição e Organização Ofensiva. No futebol, Ricardo Soares apresentou uma sessão marcada pela sua identidade de jogo, demonstrando como estruturar equipas capazes de assumir o controlo com bola sem perder agressividade no momento da recuperação. A ideia-chave passou por antecipar o ataque desde o instante em que se conquista a posse, explorando a verticalidade e a tomada de decisão em ritmo elevado.
No futsal, Kitó Ferreira deu continuidade a esta dimensão, centrando-se na transição defensiva em contextos reduzidos, como o 3×3. Sublinhando a exigência do jogo simples, destacou a importância da comunicação: “jogar simples é muito difícil. O treino e o jogo são inclusivos, por isso é fundamental falarem uns com os outros”. Através de exercícios práticos em 2×2 e 3×3, evidenciou a necessidade de criar hábitos que se transportem diretamente para o jogo.
A encerrar, o terceiro momento foi dedicado às transições, com António Oliveira a liderar o workshop de futebol. Com experiência recente no exigente contexto brasileiro, o técnico abordou a forma como as equipas podem dominar os momentos de instabilidade do jogo, transformando a recuperação da bola em ações ofensivas imediatas, com critério, intensidade e objetividade.
No futsal, João Freitas Pinto encerrou o ciclo com exemplos práticos de transições, reforçando a importância da leitura do jogo e da capacidade de atacar em frações de segundo, num contexto onde cada detalhe pode ser determinante.
Mais do que um conjunto de exercícios, a tarde do Fórum ANTF 2026 evidenciou uma ideia transversal às duas modalidades: o treino é o espaço privilegiado de construção da identidade competitiva. Em Albufeira, essa construção fez-se no terreno, com rigor, exigência e uma clara ligação entre o conhecimento e a prática.
Ao longo de dois dias, o Fórum ANTF 2026 promove o debate em torno das tendências atuais e futuras do futebol, reforçando o compromisso da ANTF com a formação contínua e a qualificação dos treinadores.
Créditos fotos: ANTF