A Onda, a aposta de Lagos no transporte público coletivo
A Câmara Municipal de Lagos aprovou a abertura de concurso para a aquisição de serviços externos destinados ao serviço público municipal de transporte de passageiros por um período de sete anos. O investimento, no valor de mais de 20 milhões de euros[1], visa garantir a continuidade do funcionamento d’ A Onda, conforme previsto no Plano Estratégico para os Transportes Municipais aprovado em 2025.
O estudo, apresentado em meados do ano passado, identificou as necessidades de mobilidade da população, a evolução do transporte público face às exigências da mobilidade elétrica e as necessidades de ajustamento à rede já existente, assim como os vários cenários de gestão, respetivas vantagens e desvantagens. A decisão acabou por recair no modelo de prestação de serviços, considerado o mais equilibrado por manter na esfera municipal a autonomia de decisão nas matérias determinantes para a qualidade da resposta, como a definição da rede, horários e tarifário, o que permite assegurar o interesse público, distribuir mais equitativamente os riscos da operação e garantir a atratividade para os operadores privados.
Entre as principais alterações estão: a reformulação da rede de transportes urbanos de Lagos – que passa a ser constituída por 11 linhas – com a criação da Linha 11, destinada a servir melhor as povoações de Espiche e Almádena; a alteração da Linha 8 (Monte Ruivo, Cotifo e Arão); e o alargamento a zonas de expansão urbana da cidade com carência de transporte público, como é o caso da Atalaia, Quinta da Boavista, Porto de Mós e Camilo/Ponta da Piedade. A nova rede passa, assim, a ter uma cobertura territorial praticamente total, com mais de 96% da população a residir a menos de 400m de uma paragem de transporte público coletivo de passageiros.
Os horários são, também, reforçados, através do alargamento do horário de verão – que passa a abranger os meses de junho a setembro, para ir ao encontro do aumento da procura na época de maior afluência turística ao concelho – e da criação mais horários, em especial nas linhas que servem as zonas rurais. A pensar sobretudo na população em idade ativa que trabalha no setor da restauração e hotelaria e vive fora da cidade, algumas linhas (2, 3, 4 e 6) terão o primeiro autocarro a circular por volta das 6h00 da manhã e o regresso entre a meia-noite e a 01h00.
Outra das novidades visa tornar a rede ambientalmente sustentável, ao nível da emissão de gases com efeito de estufa. Para isso está prevista a renovação do material circulante, sendo que no início do contrato 65% da frota a afetar ao serviço terá de ser constituída por veículos movidos a energia elétrica, substituindo-a gradualmente com o objetivo de chegar a 2030 com 100% de autocarros elétricos.
Os serviços a contratar pelo município incluem as componentes inerentes à operação, como a frota de autocarros a afetar ao transporte, os recursos humanos (motoristas e outros), o sistema de bilhética e faturação, a manutenção e limpeza dos veículos, assim como a instalação e funcionamento dos postos de venda. Já a receita da venda dos bilhetes e passes continuará a reverter para o município, que assume o custo social deste serviço, uma vez que a receita apenas cobre parcialmente as despesas de funcionamento d’ A ONDA.
O processo de concurso mereceu parecer favorável da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), entidade competente por verificar o cumprimento dos regulamentos e legislação aplicável.
[1] Preço base: 20 910 574,00€ + IVA