Quinta-feira, Fevereiro 27, 2025
Cultura

Mais de 80 mil foliões esperados no Carnaval de Loulé 

Depois de mais de dois meses de trabalho ultimam-se os preparativos para o Carnaval de Loulé 2025 na oficina/armazém, onde uma equipa de quase uma centena de pessoas dá corpo às ideias do criativo Paulo Madeira “Palhó”. Nos dias 2, 3 e 4 de março, o corso sai para a rua e volta a ter como tema central uma preocupação ambiental, desta vez o problema da água. “O Carnaval tem essa particularidade, torna assuntos sérios em objeto de brincadeira. Vamos brincar com coisas serias”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, durante a conferência de imprensa de antevisão do evento. No meio da folia, o objetivo é sensibilizar as pessoas, “de uma forma mais acessível e popular”, para a seca, que este ano deu “tréguas” mas que é uma questão que está sempre à espreita, e os problemas que daí podem advir para todos. Assim, mais de 600 figurantes, 15 carros alegóricos, escolas de samba e grupos de animação, cabeçudos e gigantones vão invadir a Avenida José da Costa Mealha nos três dias, a partir das 15h. A sátira política, social e desportiva que é uma das imagens de marca deste Carnaval, tal como a beleza artística e criatividade dos carros alegóricos, volta a estar em destaque. 

Este ano o craque Ronaldo, pago a “peso de água” pelos dirigentes sauditas, trocou as cores do Louletano que envergou no Carnaval passado pelas do Campinense (o outro clube da cidade)-Al Nassr. A tão falada dessalinizadora, que em breve será uma realidade no Algarve, não podia faltar num desfile dedicado ao tema da água (ou à falta dela). E os históricos deste corso, como Marcelo Rebelo de Sousa ou António Costa, também regressam a Loulé para representar episódios que marcaram a vida política nacional e europeia.

Mas entre todos os carros, o artista Palhó destaca um dedicado à Amazónia e ao flagelo dos incêndios que, ano após ano, fustigam o pulmão do Planeta. “Pela cor, dimensão e mensagem… E depois também pelos ‘adereços’, as bailarinas pintadas também ajudam à beleza do carro”, refere o criativo.

As questões da sustentabilidade também estarão presentes em alguns detalhes da logística do desfile. Além da distribuição pelos bares do recinto de copos reutilizáveis feitos em material compostável, a Autarquia irá utilizar água que não é da rede pública, mas captada a partir de efluentes naturais para evitar o desperdício na limpeza da Avenida durante os três dias.

As entradas no desfile têm um preço de 2 euros. Metade das verbas arrecadadas volta a destinar-se a instituições particulares de solidariedade social do concelho de Loulé, sendo os restantes 50 por cento repartidos pelas coletividades participantes no corso.

Ao longo dos três dias são esperados perto de 80 mil pessoas, caso as previsões de chuva não estraguem os planos dos foliões. “Vamos ter a esperança que a chuva não será tanta ou que até possa orientar-se para outras latitudes e possamos ter um Carnaval divertido, com muita folia, à grande e à louletana”, referiu Vítor Aleixo.

Para receber os foliões que todos os anos se deslocam de norte a sul do país, e do estrangeiro também, o Município preparou 9 parques de estacionamento à volta da cidade, com sinalética indicativa, e o apoio da GNR, para que quem entra em Loulé possa ser direcionado para os locais, como explicou o vereador Carlos Carmo. Em funcionamento está já a Loja de Carnaval, disponibilizando cerca de 400 fatos e fantasias várias que as pessoas podem alugar temporariamente para levar ao corso ou às muitas festas que terão lugar na cidade e no concelho.