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Cultura

Marrocos vai estar em força nos 20 anos do MED – Cartaz musical final foi apresentado, com o anúncio de mais 18 nomes

Música, gastronomia, arte, artesanato, cinema e literatura são algumas das valências que o Reino de Marrocos leva ao Festival MED’24. No ano em que o evento assinala 20 anos, este país magrebino abre um capítulo como o primeiro “País Convidado” do Festival e, de 27 a 30 de junho, terá um palco privilegiado em Loulé para dar a conhecer aos visitantes a sua cultura.

Na apresentação do 20º Festival MED, que decorreu este domingo, no Cineteatro Louletano, o diretor do MED e vereador da Câmara Municipal de Loulé, Carlos Carmo, desvendou alguns detalhes desta participação marroquina no evento de músicas do mundo.

Na véspera das portas se abrirem na Zona Histórica, há um concerto de abertura que acontece pelas 18h30, no Auditório do Solar da Música Nova, com a Orquestra Andalusí de Tetuan, que tem como convidada a cantora marroquina Lala Tamar.

Em cada dia do festival há uma banda marroquina a atuar nos palcos principais: Widad Mjama & Khalil Epi (dia 27, 20h30, Palco Chafariz), Oum (dia 28, 21h15, Palco Cerca) e Samifati present Trasnse Gnawa Express (dia 29, 2h15, Palco Matriz).

A recriação de um souk marroquino, no Claustro do Convento, será também um dos destaques desta presença do “País Convidado”. Aqui o visitante terá a oportunidade de saborear a gastronomia tradicional e adquirir peças de artesanato deste país, além da música e da dança que também terão neste espaço.

A 28 de junho, pelas 18h30, a Casa do Meio Dia acolhe o lançamento do livro “O Sono da Escrava”, de Mahi Binebine. Segue-se a conferência com o autor marroquino, subordinada ao tema “Materializar as palavras / Da escrita à ação cívica”.

Por outro lado, ao nível das artes plásticas, de 1 de junho a 6 de julho, vai estar patente ao público na Galeria de Arte do Convento do Espírito Santo a exposição “Fragmentos da Humanidade”, do artista plástico Moulay Youssef El Kahfai (a inauguração acontece no dia 31 de maio, pelas 18h00).

Nas mesmas datas, vai ser possível visitar, no Palácio Gama Lobo, a exposição “Artes e técnicas decorativas do Reino de Marrocos”.

No que respeita à sétima arte, o cinema de Marrocos vai ser exibido no Auditório do Solar da Música Nova, no dia 27 de junho, pelas 18h30, com a apresentação do filme “Les Chevaux de Dieu”, de Nabil Ayouch (2013).

Este programa conta com o apoio da Embaixada do Reino de Marrocos e da Associação Al-Mouatamid Ibn Abbad, nas pessoas do cônsul de Marrocos no Algarve, José Alegria, e o ex-reitor da UALG, João Guerreiro.

A proximidade geográfica a Marrocos, que é também um país com forte influência mediterrânica, e o rico património histórico da cidade de Loulé, com inúmeros vestígios árabes (como é o caso dos Banhos Islâmicos), são fatores que tornam o aprofundamento desta relação bilateral no Festival MED um enorme desafio.

Anunciado cartaz musical final

“Esta é a edição com mais nacionalidades de sempre”, sublinhou Carlos Carmo, num ano em que estarão representados 31 países, com as estreias da Estónia e do Chade. 90 horas de música, 54 concertos, 378 músicos e 12 palcos, além de 4 concertos criados para este Festival são alguns dos números que ilustram o que vai ser este MED em termos musicais.

Neste momento, o responsável do Festival anunciou os nomes que se vão juntar aos já confirmados no cartaz dos 20 anos do MED: 47 Soul (Palestina), Acácia Maior (Cabo Verde), Albaluna convidam Ahmed Hamdi Moussa (Portugal/Egito), Al-Qasar (França/Arménia/Turquia/Estados Unidos), Ballaké Sissoko (Mali), Delfina Cheb (Argentina), Eneida Marta & Huca (Guiné-Bissau/Moçambique), Hip Horns Brass Collective (Espanha), João Frade Trio convida Miron (Portugal/Bósnia e Herzegovina), Kin’Gongolo Kiniata (República Democrática do Congo), Ko Shin Moon (França), Samifati apresenta Transe Gnawa Express (Marrocos/França), Tabanka Djaz (Guiné-Bissau), Widad Mjama & Khalil Epi (Marrocos/Tunísia/França) e os portugueses Cara de Espelho, Cristina Branco, Nomad e Raia.

O Mali tem sido uma presença assídua no MED e, como tal, não podia faltar à celebração dos 20 anos. O país vai estar (muito bem) representado por Ballaké Sissoko. Depois do sucesso de Djourou, o virtuoso maliano regressa para um tête à tête íntimo com a sua kora – íntimo mas simples e majestoso. O lançamento, muito aplaudido, do seu último álbum, “Djourou”, é uma demonstração da arte da conversação musical, à maneira de Ballaké, que entrança novos fios no longo cordão ou “djourou” que o liga a outros músicos e à história da kora.

O Reino de Marrocos, convidado nesta edição, vai ter em Loulé uma montra da sua cultura e a música não será exceção. Uma das propostas que se destaca é Samifati & Transe Gnawa Express. Transe Gnawa Express nasceu de um encontro entre Samifati, de Nantes, e os músicos gnawa Maâlem Amine Bessi, Hamouda Benzaid e Ahmed Labnoua. O resultado é uma criação única que combina música gnawa, música eletrónica e projeções visuais, num grande ecrã LED. Um projeto 100% energético e 100% fascinante!

E dos PALOPS haverá uma reedição do feliz encontro entre a guineense Emeida Marta e o moçambicano Huka. Eneida Marta é uma das mais genuínas e vibrantes vozes africanas e verdadeira embaixadora da música da Guiné-Bissau. Esta paixão pela terra que a viu nascer levou-a a abraçar causas humanitárias, tendo sido nomeada pela UNICEF como sua embaixadora para a Guiné-Bissau. Nesta edição do MED, Eneida desafia o artista moçambicano Bruno Huca a acompanhá-lano palco, tal como aconteceu em 2023, durante a apresentação do 19º Festival MED, no Cineteatro Louletano.

Destaque ainda para o regresso ao MED dos palestinianos 47 Soul. Numa altura em que o território da Palestina está a ser palco de uma guerra que está a deixar o mundo em choque, a banda, que já atuou no MED, trará certamente uma mensagem de apelo à Paz.

Recorde-se que os primeiros confirmados para o Festival, durante a apresentação que aconteceu na Bolsa de Turismo de Lisboa, em março, são:  Afrotronix (Chade), Anthony B (Jamaica), Antti Paalanen (Finlândia), Bixiga 70 (Brasil), Dubioza Kolektiv (Bósnia e Herzegovina), Idiotape (Coreia do Sul), Kumbia Boruka (México/Chile/Argentina/França), Mazgani (Portugal/Irão), Mouvman Alé (Ilha da Reunião), Oum (Marrocos), Puuluup (Estónia), Roberto Fonseca (Cuba), Sofiane Saidi (Argélia), Throes+The Shine (Angola/Portugal), Tito Paris (Cabo Verde) e de Portugal, Kumpania Algazarra, Lina, Rita Vian e Teresinha Landeiro. O brasileiro Chico César cancelou, entretanto, a tour europeia e, por isso, não vem a Loulé.

Ao longo de 19 anos, já passaram pelo MED mais de 355 mil visitantes e atuaram 665 bandas de 75 países diferentes.

No dia 8 de junho, no Café Calcinha, terá lugar o último momento de apresentação do Festival MED, com a divulgação da programação ao nível das diversas valências e das parcerias estabelecidas.

De acordo com um estudo realizado pela CITUR da Universidade do Algarve sobre o impacto socioeconómico e a imagem percecionada que o Festival MED teve em 2023, mais de 97% dos inquiridos classificaram o evento como “Bom” ou “Muito Bom”. Ao nível do impacto económico, estima-se que essa edição tenha gerado mais de 4,6 milhões de euros na economia concelhia. 89% da despesa foi realizada por visitantes de fora do concelho.

O presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo, destacou precisamente o impacto turístico e económico deste evento que é também “o cartaz cultural com maior notoriedade que acontece no concelho de Loulé”. “Tenho a certeza que esta edição vai, como todas as outras, dignificar o nome de Loulé e trazer muitos milhares de turistas que se habituaram a visitar-nos nesta altura do ano. Loulé ganha projeção externa com este Festival, para além das consequências positivas para a economia da cidade e do concelho”, reafirmou.

No dia 8 de junho, no Café Calcinha, terá lugar o último momento de apresentação do Festival MED, com a divulgação da programação ao nível das diversas valências e das parcerias estabelecidas.

A apresentação deste domingo encerrou com o concerto Lá no Xepangara, inspirado na canção de Zeca Afonso, um projeto que trouxe para o palco a música e a palavra deste artista. O coletivo liderado por Manuel de Oliveira, que reúne artistas como Isabel Novella (Moçambique), Selma Uamusse (Moçambique), Fred Martins (Brasil), Karyna Gomes (Guiné Bissau) e Edu Mundo (Portugal), pretende refletir sobre a forte presença da cultura africana na vida e obra de José Afonso e o seu papel na luta pela descolonização, democratização e pelo desenvolvimento da sociedade e cultura lusófonas.