Ação de plantação em Alte vai minimizar pegada ecológica de viagens de avião

São várias as viagens de avião que o eurodeputado Francisco Guerreiro é obrigado a realizar ao longo do mês, entre Portugal e as cidades de Bruxelas e Estrasburgo, por razões profissionais. Para compensar a pegada ecológica desses voos, tomou a iniciativa de promover uma ação de reflorestação no concelho de Loulé, que decorreu na manhã da passada sexta-feira, na freguesia de Alte.

Com vista a compensar as emissões de CO2 de voos, o Grupo Parlamentar Europeu “Os Verdes| Aliança Livre Europeia” propôs, em 2022, à Câmara Municipal de Loulé, financiar a realização de uma iniciativa de reflorestação com árvores e arbustos autóctones (e a respetiva manutenção por um período mínimo de dois anos), num terreno de propriedade municipal.

Esta proposta foi bem acolhida pela Autarquia louletana, que disponibilizou um terreno municipal no sítio do Azinhal para levar a cabo a plantação. E foi precisamente “essa abertura manifestada” que levou Francisco Guerreiro a escolher Loulé, para além de ser este um concelho “por diversas vezes afetado por fogos e que tem uma componente rural muito grande”.

Os presentes neste momento viram, assim, ser plantados cerca de 120 medronheiros durante uma manhã onde foram várias pessoas que puseram as mãos na terra. Desde logo os técnicos municipais de diversas unidades orgânicas, mas também alunos e docentes da Escola Profissional Cândido Guerreiro envolvidos no projeto FertiAlte – Unidade de Compostagem Aeróbica de Alte – os quais tiveram a oportunidade de aplicar nesta iniciativa algum do composto produzido no âmbito do projeto -, e 2 alunos que representam as turmas mais diretamente envolvidas no projeto “Escola Embaixadora do Parlamento Europeu”.

Por outro lado, esta plantação teve também a participação de quem está no terreno a defender a floresta: elementos do ICNF, Proteção Civil, Sapadores Florestais e Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão, esta última a entidade que ficará também responsável pela plantação de cerca de 58 alfarrobeiras no terreno municipal, pela manutenção de toda a área reflorestada (5852 m2) pelo período mínimo de dois anos, e pela beneficiação do sobreiral existente na parte norte do terreno (5050 m2). Estima-se que esta iniciativa promova, entre outros benefícios, a fixação do CO2 atmosférico, a retenção de água no solo e a biodiversidade.

“É com políticas e com políticos que têm esta consciência que faz sentido estar na Política”, sublinhou o vereador do Ambiente e Ação Climática, Carlos Carmo. Para este responsável, esta iniciativa “entronca perfeitamente naquilo que é a política do Município”, com destaque para o facto de ter sido o primeiro Plano Municipal de Ação Climática aprovado em Portugal, a par do conjunto de ações emanadas da Agenda para a Sustentabilidade e Biodiversidade. Tornar o território mais resiliente, manter a identidade ao nível da biodiversidade e contribuir para a neutralidade carbónica são, de acordo com o vereador, objetivos deste reforço da mancha verde no território.

António Martins, presidente da Junta de Freguesia de Alte, juntou-se ao momento e disse que, numa altura em que as alterações climáticas fazem parte da agenda mundial, “todos nós, de alguma maneira, deveríamos compensar as nossas emissões de carbono e os danos que provocamos ao meio ambiente com outras iniciativas que permitam a sua recuperação”.

Já Francisco Guerreiro pretende que esta iniciativa se torne um exemplo a ser replicado por outros. “Espero conseguir abrir uma porta para que os meus colegas, os outros 20 eurodeputados portugueses, possam fazer um trabalho similar e, no fundo, garantir que consigo compensar estes gastos ecológicos com os transportes. Mas também que mais municípios façam este tipo de iniciativas”, disse ainda.