Herdeiros de Saramago passam o testemunho a novos escritores em Portimão

Depois da boa recetividade verificada no ano passado, a Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes volta a promover em julho próximo a iniciativa “Verão Azul”, que em 2022 celebrará o centenário de nascimento do único Prémio Nobel da Literatura português, sob o lemaHerdeiros de Saramago passam o testemunho”.

Para o efeito, foram convidados a partilhar conversas com o público no Jardim 1º de Dezembro quatro autores, galardoados com o prestigioso Prémio Literário José Saramago, que passarão o testemunho a escritores que ainda não obtiveram esse honroso reconhecimento, com a seguinte agenda: 9 de julho – Afonso Reis Cabral convida João Pedro Vala; 16 de julho – Bruno Vieira Amaral convida Frederico Pedreira; 23 de julho – João Tordo convida Maria Francisca Gama; e 30 de julho – Valter Hugo Mãe convida Manuel Jorge Marmelo.

Com curadoria e moderação de Carlos Vaz Marques, autor da série documental televisiva “Herdeiros de Saramago”, os encontros agendados para os quatro sábados de julho terão sempre início às 18h30 e estão abertos a todos os interessados.

Através desta iniciativa, que acontece no ambiente particularmente estimulante de um jardim e se intitula “Verão Azul”, título inspirado no livro “Agosto Azul” de Manuel Teixeira Gomes, o Município de Portimão visa incentivar os livros e a leitura, dando a palavra àqueles que os escrevem, junto de quem os lê.

Biobibliografias dos escritores e do curador

9 de julho:

Afonso Reis Cabral (Prémio Saramago 2019) nasceu em 1990. Aos quinze anos publicou o livro de poesia “Condensação”. É licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos, fez mestrado na mesma área e tem uma pós-graduação em Escrita de Ficção. Foi duas vezes à Alemanha de camião TIR em busca de uma história, a primeira das quais aos treze anos. Trabalhou numa vacaria, num escritório de turismo e num alfarrabista. Em 2014, ganhou o Prémio LeYa com o romance “O Meu Irmão”, que se encontra em tradução em Espanha e já foi publicado no Brasil e em Itália. Tem contribuído com dezenas de textos para as mais variadas publicações. Em 2017, foi-lhe atribuído o Prémio Europa David Mourão-Ferreira na categoria de Promessa, e em 2018 o Prémio Novos na categoria de Literatura. No final de 2018, publicou o seu segundo romance, “Pão de Açúcar” (Prémio Saramago) com forte acolhimento por parte da crítica. Entre abril e maio de 2019, percorreu Portugal a pé ao longo dos 738,5 quilómetros da Estrada Nacional 2, tendo registado essa viagem no livro “Leva-me Contigo”. Trabalha atualmente como editor freelancer. Nos tempos livres, dedica-se à ornitologia, faz Scuba Diving e pratica boxe.

João Pedro Vala nasceu em 1990, em Lisboa. Licenciou-se em Gestão mas, em 2011, acabou por trocar os números pelas letras. Concluiu recentemente, com distinção e louvor por unanimidade, uma tese de doutoramento sobre Marcel Proust — escrita entre a University of Chicago (como visiting scholar) e a Universidade de Lisboa —, em que estuda a forma como o tempo, a homossexualidade, o judaísmo e o sadomasoquismo parecem representar a visão que Proust tinha da literatura. É crítico literário, revisor e tradutor. Acaba de publicar o romance “Grande Turismo” (Quetzal).

16 de julho:

Bruno Vieira Amaral (Prémio Saramago 2015) nasceu em 1978. Colabora com a revista Ler, o Expresso e a Rádio Observador. O seu primeiro romance, “As Primeiras Coisas” (Quetzal, 2013), foi distinguido com o Prémio PEN Clube Narrativa, Prémio Literário Fernando Namora, Prémio Time Out e Prémio Literário José Saramago, em 2015. Em 2016, foi nomeado uma das Dez Novas Vozes da Europa (Ten New Voices from Europe), escolha da plataforma Literature Across Frontiers. O seu segundo romance, “Hoje Estarás Comigo no Paraíso” (Quetzal, 2017), recebeu o prémio Tabula Rasa 2016-2017 na categoria de Ficção, e o segundo lugar do Prémio Oceanos 2018. Em 2018, foram reunidos os seus melhores textos dispersos no volume “Manobras de Guerrilha” e, em 2020, os seus contos em “Uma Ida ao Motel”, livro que venceu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, em 2021. Os direitos dos seus livros foram vendidos para vários países. “Integrado Marginal” é a primeira biografia que publica.

Frederico Pedreira nasceu em 1983. Publicou vários livros de prosa e de poesia, entre os quais “Doze Passos Atrás”, “Presa Comum”, “Fazer de Morto”, “A Noite Inteira”, “A Lição do Sonâmbulo” e o livro de ensaios “Uma Aproximação à Estranheza”. Traduziu livros de poesia de W. B. Yeats e Louise Glück, ensaios de G. K. Chesterton e George Orwell, e romances de Dickens, Swift, Wells, Hardy e Banville, entre outros. Colaborou na secção de cultura de alguns periódicos nacionais. Doutorou-se no Programa em Teoria da Literatura da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Venceu o Prémio INCM/Vasco Graça Moura na categoria de Ensaio (2016).

23 de julho:

João Tordo (Prémio Saramago 2009) nasceu em Lisboa em 1975. Venceu o Prémio Literário José Saramago 2009 com “As Três Vidas”, tendo sido finalista, com o mesmo livro, do Prémio Portugal Telecom, em 2011. Publicou treze romances, entre eles “O Livro dos Homens sem Luz” (2004), “Hotel Memória” (2007), “As Três Vidas” (Prémio Saramago 2009), “Anatomia dos Mártires” (2011), “O Ano Sabático” (2013), “Biografia Involuntária dos Amantes” (2014), “O Luto de Elias Gro” (2015), “O Paraíso Segundo Lars D.” (2015), “O Deslumbre de Cecilia Fluss” (2017), “Ensina-me a Voar Sobre os Telhados” (2018) e acaba de publicar “Naufrágio” (2022), Foi finalista do Prémio Melhor Livro de Ficção Narrativa da Sociedade Portuguesa de Autores (2011 e 2015), do Prémio Literário Fernando Namora (2011, 2012, 2015, 2016), e do Prémio Literário Europeu em 2012. Os seus livros estão publicados em vários países, incluindo França, Itália, Alemanha, Hungria, Espanha, México, Argentina, Brasil, Uruguai, entre outros.

Maria Francisca Gama nasceu no dia 6 de outubro de 1997, em Leiria. Estuda atualmente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, depois de ter terminado o Ensino Secundário na área de Línguas e Humanidades. Após o seu primeiro livro, “Em Troca de Nada”, cuja primeira edição se esgotou em seis meses, Maria Francisca continua a escrever e a surpreender todos aqueles que acolhem as suas palavras, tanto pela maturidade como pela sensibilidade que revelam. Acaba de publicar o romance “Madalena”.

30 de julho:

Valter Hugo Mãe (Prémio Saramago 2007) é um dos mais destacados autores portugueses da atualidade. A sua obra está traduzida em variadíssimas línguas, merecendo um prestigiado acolhimento em muitos países. Com “As doenças do Brasil” completa 25 anos de edição e 50 anos de vida. Autor dos romances: “Contra mim” (Grande Prémio de Romance e Novela – Associação Portuguesa de Escritores); “Homens imprudentemente poéticos”; “A Desumanização”; “O filho de mil homens”; “A máquina de fazer espanhóis” (Prémio Oceanos); “O apocalipse dos trabalhadores; “O remorso de Baltazar Serapião” (Prémio Literário José Saramago) e “O nosso reino”. Escreveu alguns livros para todas as idades, entre os quais: “Contos de cães e maus lobos”, “O paraíso são os outros”, ”As mais belas coisas do mundo” e “Serei sempre o teu abrigo”. A sua poesia encontra-se reunida no volume “Publicação da mortalidade”. Publica a crónica “Autobiografia Imaginária”, no Jornal de Letras, e “Cidadania Impura”, na Notícias Magazine. Com exceção da poesia, que tem chancela Assírio & Alvim, toda a sua obra está publicada pela Porto Editora.

Manuel Jorge Marmelo nasceu em 1971, na cidade do Porto. Estreou-se na literatura em 1996 e publicou, de então para cá, em Portugal e não só, romances, crónicas, contos e livros infantis, destacando-se os romances “Uma Mentira Mil Vezes Repetida”, editado em 2011, que conquistou o prestigiado Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d’Escritas 2014; “Macaco Infinito”, de 2016; “Somos Todos Um Bocado Ciganos”, de 2012; e o livro “O Silêncio de um Homem Só”, distinguido em 2005 com o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco. O romance “O Tempo Morto É Um Bom Lugar”, de 2014, foi um dos três finalistas do Livro do Ano da Time Out Lisboa.

O curador Carlos Vaz Marques nasceu em Lisboa a 28 de janeiro de 1964. Carlos Vaz Marques (1964) é jornalista, tradutor e editor. É co-autor e coordenador do “Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer”, que sucede a “Governo Sombra”, criado em 2008 na companhia de Pedro Mexia, João Miguel Tavares e Ricardo Araújo Pereira, e atualmente emitido pela SIC Notícias. É autor premiado também na rádio como na televisão, destacando-se, entre essas distinções, o Prémio de Jornalismo Científico pela reportagem «Dari, Primata Como Nós», sobre os chimpanzés da Guiné-Bissau, e o Prémio Autores, conquistado por três vezes: com o programa radiofónico “Pessoal e… Transmissível”, com o programa “Governo Sombra” e com a série documental emitida pela RTP “Herdeiros de Saramago”. Foi, até 2018, o diretor da revista literária Granta Portugal, publicada pelas Edições Tinta-da-china desde 2013. Dirige, também na editora Tinta-da-china, a Coleção de Literatura de Viagens, já com mais de meia centena de títulos publicados. Traduziu mais de uma dezena de obras literárias e tem quatro livros de entrevistas publicados, um deles no Brasil.