{"id":14368,"date":"2022-01-04T09:21:47","date_gmt":"2022-01-04T09:21:47","guid":{"rendered":"https:\/\/algarve7.pt\/?p=14368"},"modified":"2022-01-04T09:21:51","modified_gmt":"2022-01-04T09:21:51","slug":"as-conservas-do-novo-seculo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/algarve7.pt\/index.php\/2022\/01\/as-conservas-do-novo-seculo\/atualidade\/09\/21\/","title":{"rendered":"As \u201cconservas\u201d do novo s\u00e9culo"},"content":{"rendered":"\n<p>Com a medicina a abrir portas \u00e0 fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica da cannabis, uma empresa familiar quis agarrar a nova fileira, desde o cultivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de medicamentos. Enquanto nos campos se multiplicam as planta\u00e7\u00f5es certificadas, em Vila Real de Santo Ant\u00f3nio, pavilh\u00f5es onde h\u00e1 um s\u00e9culo se imprimiam latas de conservas de peixe est\u00e3o em vias de ganhar nova vida como um dos maiores laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos da Europa<\/p>\n\n\n\n<p>Estendida pelo interior dos pavilh\u00f5es que foram casa de uma das principais litogr\u00e1ficas do pa\u00eds, a estrutura modular mais parece uma esta\u00e7\u00e3o espacial colada ao ch\u00e3o. A cobertura com largas mangas e torres de climatiza\u00e7\u00e3o a perder de vista contribui para essa vis\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o que at\u00e9 poderia estar na \u00f3rbita da Terra em lugar de serpentear, como ali, o pavimento das naves onde, durante d\u00e9cadas, se imprimiram cores, formas e palavras em milh\u00f5es de latas de conservas de peixe.<\/p>\n\n\n\n<p>O interior desse estranho equipamento revela-se ao abrir uma das portas selantes: longos corredores labir\u00ednticos hermeticamente isolados, salpicados por portas blindadas e por pequenos pain\u00e9is cujas agulhas indicam se a temperatura e a humidade correspondem \u00e0s expectativas do ambiente que se pretende controlado. \u00c9 a \u201csensibilidade da mat\u00e9ria-prima e as melhores normas internacionais de produ\u00e7\u00e3o\u201d que o exigem, explica Elsa Pereira, enquanto percorre aquela que ser\u00e1, dentro de alguns meses, uma unidade de transforma\u00e7\u00e3o de cannabis para fins medicinais.<\/p>\n\n\n\n<p>A planta, de onde se extrai o haxixe, tem vindo gradualmente a ser adotada em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo em medicamentos, prepara\u00e7\u00f5es e subst\u00e2ncias para fins terap\u00eauticos, nomeadamente para tratamento da dor em doentes oncol\u00f3gicos. Em Portugal, a venda destes produtos est\u00e1 regulada desde 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma empresa familiar acompanha, desde o Algarve, os primeiros passos desse novo mercado internacional. \u201cNuma primeira fase, vamos apenas transformar a planta em flor seca para fornecer a ind\u00fastria farmac\u00eautica, mas, dentro em breve, estaremos em condi\u00e7\u00f5es para lan\u00e7ar a nossa pr\u00f3pria marca e colocar o nosso pr\u00f3prio produto em farm\u00e1cias\u201d, conta a gerente da Cannprisma Pharma.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cerca de 1800 metros quadrados da unidade industrial, inseridos num complexo com mais do dobro do tamanho, fazem deste \u201cum dos maiores laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos a operar na Europa\u201d. Aos sal\u00f5es que se vislumbram para l\u00e1 das janelas de vidros duplos, h\u00e1 de chegar em breve a maquinaria para tratar das flores em cada est\u00e1dio de transforma\u00e7\u00e3o \u2013 processamento, extra\u00e7\u00e3o, manufatura e embalamento, de acordo com as regras GMP (Good Manufactoring Practices) \u2013 antes de serem exportadas para os principais mercados da Europa, como a Alemanha, a Fran\u00e7a, a Irlanda ou a Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>As expectativas da Cannprisma s\u00e3o altas, acreditando que, em poucos anos, possa atingir um volume de neg\u00f3cios anual superior a 20 milh\u00f5es de euros. O investimento, esse, vai j\u00e1 em 16 milh\u00f5es, estimando-se que venha a atingir entre 20 e 30 milh\u00f5es de euros, dependendo da forma como o mercado vai evoluir. \u201cNeste momento, o mercado da cannabis est\u00e1 a crescer no mundo inteiro. Todos os dias h\u00e1 um novo pa\u00eds a abrir portas \u00e0 cannabis medicinal ou a liberalizar o consumo recreativo, pelo que ainda n\u00e3o sabemos exatamente como se vai desenvolver este neg\u00f3cio nos pr\u00f3ximos 3 a 5 anos\u201d, faz notar a empres\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Jogar com a incerteza quanto ao futuro de um segmento de mercado n\u00e3o \u00e9 novidade para Elsa Pereira. Semelhante risco j\u00e1 a empresa familiar tinha enfrentado em Alcoba\u00e7a, quando deu os primeiros passos na ent\u00e3o embrion\u00e1ria reciclagem de res\u00edduos. Viria a vender o neg\u00f3cio a uma multinacional 25 anos depois. Foi o filho, Jo\u00e3o Nascimento, quem apontou \u00e0 fam\u00edlia o potencial da cannabis medicinal. \u201cQuando come\u00e7\u00e1mos a aprofundar o projeto, cheg\u00e1mos \u00e0 conclus\u00e3o de que t\u00ednhamos de estar em toda a cadeia de valor\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto arrancou h\u00e1 3 anos, em Castro Marim. O complexo de 10 hectares, com estufas e campo aberto de alta tecnologia (e tamb\u00e9m de alta seguran\u00e7a), foi inaugurado em setembro, mas est\u00e1 j\u00e1 pronto para entregar os primeiros 500 quilos de flor de cannabis medicinal que ali cresceram. Foram longos meses de sele\u00e7\u00e3o de plantas e testes de cultivo sob as normas internacionais GACP (Good Agricultural and Collection Practices) at\u00e9 chegar a este primeiro lote, mas foi tempo que serviu para confirmar que o clima do Algarve, \u201ccom mais horas de luz e temperaturas amenas\u201d, confere ao projeto de cultivo o potencial de \u201c4 a 5 ciclos produtivos por ano e com menores custos energ\u00e9ticos\u201d, faz notar.<\/p>\n\n\n\n<p>Da Quinta da Fornalha, esperam poder extrair 1,5 a 2 toneladas de flor na fase inicial, dobrando a produ\u00e7\u00e3o numa segunda fase de amplia\u00e7\u00e3o das estufas. \u201cDependendo das varia\u00e7\u00f5es de oferta e procura nos pr\u00f3ximos 2 a 3 anos, podemos chegar \u00e0s 17 toneladas anuais numa terceira fase de amplia\u00e7\u00e3o\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da Cannprisma, h\u00e1 outras 3 empresas autorizadas a cultivar cannabis medicinal no Algarve, num universo de 16 em todo o pa\u00eds, com tend\u00eancia a aumentar exponencialmente. Outros 92 pedidos de licenciamento de produ\u00e7\u00e3o est\u00e3o a aguardar certifica\u00e7\u00e3o do Infarmed. O mercado est\u00e1 \u201cem crescimento muito r\u00e1pido\u201d, nota Elsa Pereira, para quem \u201cestar desde o cultivo at\u00e9 ao medicamento\u201d garante a \u201cflexibilidade\u201d para se ajustar ao futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>De volta ao laborat\u00f3rio de Vila Real de Santo Ant\u00f3nio, a ideia \u00e9 que as flores das pr\u00f3ximas colheitas possam j\u00e1 vir a ser ali processadas. A unidade conta com um departamento de investiga\u00e7\u00e3o e um laborat\u00f3rio de testes que, a par da produ\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos, v\u00e3o estar a trabalhar para colocarem a Cannprisma um passo \u00e0 frente da evolu\u00e7\u00e3o da fileira, \u201cno desenvolvimento de plantas \u00fanicas e na cria\u00e7\u00e3o de novos produtos que fa\u00e7am diferen\u00e7a no mercado\u201d. Para j\u00e1, conta, os planos passam por tratar e embalar flor de cannabis seca, mas, a m\u00e9dio prazo, vir a obter \u00f3leos e extratos da planta para a ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta fase, a empresa conta j\u00e1 com 40 trabalhadores, a maioria qualificados, mas os planos v\u00e3o obrigar a engrossar fileiras nos dom\u00ednios da engenharia farmac\u00eautica e da biotecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Fonte: CCDR Algarve<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a medicina a abrir portas \u00e0 fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica da cannabis, uma empresa familiar quis agarrar a nova fileira, desde<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14369,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[11],"tags":[36,62,143],"class_list":["post-14368","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-atualidade","tag-algarve","tag-atualidade","tag-ccdr-algarve"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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