exposição coletiva Core Cuore, patente no Centro Cultural de Lagos até 26 de setembro
A exposição coletiva Core Cuore, patente no Centro Cultural de Lagos até 26 de setembro, afirma-se como um novo capítulo do universo artístico desenvolvido pelo Festival Verão Azul, surgindo como um desdobramento da sua 12.ª edição, realizada no ano passado.
Com curadoria da dupla de artistas e curadores Ana Borralho & João Galante, a exposição Core Cuore reúne um conjunto de artistas internacionais cujas práticas atravessam a imagem, o som, a performance e as culturas digitais contemporâneas.
Se o Festival Verão Azul se apresentou como um laboratório de experimentação onde as artes performativas, sonoras e visuais convergiram para questionar o corpo nas suas dimensões política, social, urbana e pós-humana, Core Cuoretransporta essas inquietações para o espaço expositivo. A mostra propõe uma reflexão sobre os modos de sentir, percecionar e habitar um mundo marcado pela hiperconectividade, pela sobrecarga informativa e pela mediação tecnológica.
O título da exposição estabelece um jogo entre as palavras “core” — centro, essência — e “cuore”, coração em italiano, sugerindo um encontro entre pensamento crítico e experiência emocional. Inspirada pela estética digital conhecida como corecore, Core Cuore explora a fragmentação, a sobreposição e a colisão de imagens, sons e narrativas que caracterizam a cultura contemporânea. Neste contexto, o fragmento torna-se linguagem e o excesso converte-se em matéria crítica.
A exposição reúne obras de Andy Thomas, Jordan Stone, Molly Soda, John Rising e Noper, artistas que investigam, a partir de diferentes perspetivas, as transformações da experiência humana na era digital. Entre instalações imersivas, colagens audiovisuais, vídeos, ambientes sonoros e narrativas híbridas, as obras convocam temas como a alienação, a nostalgia, a intimidade mediada pelas redes sociais, a memória coletiva e os novos imaginários produzidos pela internet.
Andy Thomas (AU) apresenta universos onde som e imagem se fundem, transformando vocalizações da natureza em experiências visuais que oscilam entre o orgânico e o tecnológico. Jordan Stone (EUA) explora a linguagem cinematográfica contemporânea através de referências à cultura digital e à estética publicitária. Molly Soda (EUA)investiga a performatividade da identidade online e os códigos afetivos das redes sociais. John Rising (RU) trabalha a lógica do corecore através de montagens audiovisuais que refletem a fragmentação do presente, enquanto Noper(EUA) constrói atmosferas simultaneamente oníricas e inquietantes, onde memória, repetição e nostalgia se cruzam.
Mais do que apresentar respostas, Core Cuore propõe um espaço de ressonância e reflexão. A exposição convida o público a navegar entre diferentes camadas de significado, confrontando-se com as contradições de uma sociedade simultaneamente hiperconectada e profundamente desconectada.
A estética corecore, que emergiu nas plataformas digitais — particularmente no TikTok —, é frequentemente entendida como uma resposta crítica à saturação de conteúdos online. Através de montagens caóticas de imagens, memes, excertos de filmes, publicidade e momentos do quotidiano, esta linguagem tornou-se uma forma de refletir sobre a experiência emocional, social e política de viver permanentemente ligado a plataformas digitais. É precisamente nesse território de tensão entre excesso e vulnerabilidade, ruído e intimidade, que Core Cuore encontra o seu lugar.
Core Cuore é um projeto comissionado pelo Festival Verão Azul / casaBranca.
A casaBranca é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direcção Geral das Artes.
Esta exposição é uma produção conjunta casaBranca e CML/CCL e conta com o apoio institucional do Turismo do Algarve e apoio para estadias do Wot Lagos Montemar Soul.
Exposição: Core Cuore
Encerramento: 26 de setembro de 2026
Local: Centro Cultural de Lagos
Curadoria: Ana Borralho & João Galante
Artistas: Andy Thomas, Jordan Stone, Molly Soda, John Rising e Noper
Entrada livre.


