Joaquim Vairinhos é o novo patrono do pavilhão desportivo municipal

Foi num ambiente emotivo que na manhã de terça-feira Loulé prestou homenagem a um dos louletanos que mais contribuiu para o desenvolvimento do concelho, o antigo presidente da Câmara Municipal, Joaquim Vairinhos, referência regional do contexto político das décadas de 80 e 90 e no despontar do século XXI. E foi precisamente no dia em que a cidade de Loulé assinalou 34 anos que a Autarquia decidiu dar ao Pavilhão Desportivo Municipal – projetado por este antigo governante local – o nome do “Professor Joaquim Vairinhos”.

 “Agradeço a toda a comunidade louletana que me deu a oportunidade de ser presidente e de descobrir o meu limite, e isso é uma honra. Obrigado, Loulé!”, disse o louletano que quer ser recordado um dia como um “algarvio marafado”.

Perante uma plateia cheia de figuras políticas de várias cores partidárias, sobretudo antigos autarcas algarvios, representantes associativos e muitos amigos do homenageado que quiseram participar neste momento, a Autarquia de Loulé quis assim enaltecer a obra e um legado político que ainda hoje está bem presente em cada canto deste concelho.

Vítor Aleixo, atual presidente da Autarquia, que fez parte da equipa de vereação do homenageado, falou da ligação de Joaquim Vairinhos à sua terra e da importância que teve para o seu desenvolvimento, em áreas como a educação, desporto, cultura ou política. “O Vairinhos esteve presente em momentos cruciais quando estes dossiers de gestão pública e política aceleraram, teve sempre a visão e a sensibilidade para perceber qual era o momento histórico em que estávamos a viver e que ambições era preciso ter. Fica indelevelmente associado a um salto qualitativo na gestão autárquica de todos estes planos”, disse.

Essa mentalidade visionária fez-se notar desde logo na educação – já que a sua formação era a de professor – o que contribui para “interpretar as necessidades e dificuldades e sonhos dessa profissão”. 

Tal como na área do desporto, onde Loulé é hoje uma referência, uma tradição que começou nos mandatos de Joaquim Vairinhos, o homem que lutou para tornar possível a construção deste Pavilhão. Obra de grande importância, que viria a ser inaugurada em 2001 e que permitiu “não só aumentar o prestígio de Loulé na sua região e em todo o país, mas também além-fronteiras, promovendo a prática do desporto de muitos milhares de jovens, dezenas de clubes e muitos acontecimentos desportivos de primeiro plano que por aqui passaram”. Durante a cerimónia de hoje vieram à memória recordações das muitas lutas de Joaquim Vairinhos, decisivas para que Loulé seja atualmente o mais pujante concelho algarvio e uma referência no país. Das negociações com o Governo de Cavaco Silva que permitiram que Loulé seja hoje o único território com três nós de acesso à Via do Infante, a criação do Porto de Pescas de Quarteira, elemento central na economia e identidade local, a criação da Área Empresarial de Loulé, “ainda hoje uma das mais dinâmicas no Algarve”, o Calçadão de Quarteira e tantas outras realizações. Mas também o PDM, em 1991, que como recordou o homenageado, nasceu de um entendimento entre o governo local socialista e a oposição, já que o então presidente da Assembleia Municipal, o social-democrata Mendes Bota, e Joaquim Vairinhos aprovaram por maioria este documento que ainda hoje vigora.

E foi também essa rivalidade política que o homenageado enalteceu neste dia: “Em democracia não podemos confundir os adversários com os inimigos. Temos que os combater nas ideias, mas também que os ouvir e ver se as ideias deles não são melhores do que as nossas. E muitas vezes é importante não nos isolarmos”, sublinhou.

Autarca, presidente de câmara, professor, atleta e dirigente desportivo, e poeta nesta última fase da sua vida, foi precisamente essa “personalidade rica e multifacetada” que Vítor Aleixo frisou no seu antecessor, a par das “obras, dos projetos e das colaborações que liderou em prol do concelho e do Algarve”. É por isso “uma justíssima homenagem!”, disse ainda o edil, antigo colega e político de Vairinhos.

34 anos de crescimento da cidade de Loulé

No dia em que Loulé celebrou mais um aniversário de elevação a cidade, o autarca Vítor Aleixo recordou as mais de três décadas de crescimento: “Foram 34 anos de progresso, de desenvolvimento, de lutas pela preservação do que é nosso, do que nos define, dos nossos costumes e tradições, da nossa fé e da nossa cultura”.

O presidente do executivo falou da identidade desta comunidade, mas também das memórias da antiga vila do barrocal algarvio, “repleta de tradições, costumes, de gente simples e sábia, uma vila de ofícios, de sapateiros, de oleiros, de empreiteiras, de caldeireiros, de comerciantes, de cauteleiros, de padeiros e pasteleiros, professor, padres” e cujos novos caminhos passaram também pelo crescimento da atividade turística em todo o concelho.

Mas num dia de celebração também as “realizações positivas”, com sonhos antigos “alguns deles também do Joaquim Vairinhos” que se encontram em curso neste momento na cidade de Loulé, estiveram em foco. Assim, no seu discurso, Vítor Aleixo elencou obras como a requalificação do Solar da Música Nova que permitiu acolher o Conservatório, a reabilitação do Palácio Gama Lobo, a requalificação do Atlético onde em breve irá instalar-se a Casa da Cultura, os Banhos Islâmicos, cuja conclusão da musealização está para breve e que aguarda a classificação de Monumento Nacional, o edifício do INEM/CODU. “Há uma dinâmica e uma pequena economia a surgir que está a animar e a valorizar a cidade. Loulé é hoje muito procurada e só queremos estar à altura dos muitos desafios que temos pela frente”, disse o edil.

Destacou ainda o trabalho levado a cabo em termos de habitação, que irá beneficiar dois segmentos da população, as famílias com carências habitacionais, mas também os jovens, as profissões diferenciáveis como professores, enfermeiros ou polícias que procuram fixar-se em Loulé têm dificuldade em encontrar uma habitação

Por último, referiu o tão aguardado projeto da Circular de Loulé que ainda recentemente deu mais um passo, com a assinatura das primeiras escrituras para a compra dos terrenos.

O Dia da Cidade de Loulé contou ainda com um programa cultural com uma batida fotográfica pelo casco medieval da cidade e um concerto de Rodrigo Leão e o Coro Infantil de Loulé, no Cineteatro Louletano.