Ricardo Santos é o segundo melhor português de sempre três lusos passam o cut pela 4.ª vez

Ontem dia em que três portugueses passaram o cut pelo terceiro ano seguido e pela quarta vez na história de 15 edições do Portugal Masters, Ricardo Santos continuou a ser o melhor nacional e o italiano Nino Bertasio, que compete em Portugal desde os seus tempos de amador, manteve o comando do mais importante torneio luso de golfe, agora reduzido a 104 jogadores, depois de quatro desistências nas duas primeiras jornadas.

Houve, contudo, muitas diferenças nestas duas primeiras jornadas do único torneio português do European Tour, de 1,5 milhões de euros em prémios monetários, que, em dois dias, já superou os 10.400 espectadores. Sobretudo no que se refere às condições de jogo, com mais sol, menos nuvens, um vento mais clemente, a bola a voar e a rolar um pouco mais nos fairways nas horas de temperatura mais elevada, e com as bandeiras mais complicadas.

O italiano Nino Bertasio não deslumbrou como no seu recorde pessoal (-10) de ontem, mas aguentou-se na frente, com uma segunda volta de 69 (-2), totalizando agora 130 (-12). O entusiasmante espanhol Adri Arnaus também segurou o 2.º lugar. Fez 67 (-4), agrega 132 (-10), mas agora partilha essa posição de delfim com outros três jogadores: o dinamarquês Lucas Bjerregaard (67+65), o campeão do Portugal Masters em 2017; o belga Thomas Pieters (68+64), que venceu a Taça do Mundo em 2018 e que já jogou na seleção europeia da Ryder Cup; e ainda o francês Mathieu Pavon (68+64), que, tal como Arnaus, anda à caça do seu primeiro título no European Tour.  

No que se refere aos portugueses, Ricardo Santos (70+69) perdeu apenas uma posição em relação a ontem e é o 30.º classificado (-3).  Quanto Tomás Melo Gouveia e Vítor Londot Lopes, é incrível como continuam a ter resultados exatamente iguais (71+69) e subiram da 51.ª posição para a 37.ª (-2). O cut fixou-se no Par do campo e passaram 65 jogadores. 

Entre os portugueses que falharam o cut, Pedro Figueiredo (71+73) desceu de 51.º para 74.º (+2), Filipe Lima (72+73) tombou de 65.º para 81.º (+3) e o amador Pedro Clare Neves (78+84) vai ocupar o 104.º e último lugar (+20).

Para o golfe português voltou a ser um dia positivo. Ainda não foi desta que se quebrou a barreira dos três portugueses a passarem o cut no Portugal Masters, mas repetiu-se esse recorde nacional, fixado pela primeira vez em 2012 e repetido em 2019, 2020 e 2021. Talvez o dado mais interessante seja o facto de, nessas quatro ocasiões em que um triunvirato de lusos jogou no fim de semana, constarem oito jogadores diferentes, o que mostra bem o trabalho que tem vindo a ser efetuado pela Federação Portuguesa de Golfe nesta década, lançando constantemente novos valores. 

Em 2012 foram Ricardo Santos, Pedro Figueiredo e Ricardo Melo Gouveia, estes dois últimos então ainda amadores. Em 2019 foram Ricardo Melo Gouveia, Tiago Cruz e Tomás Santos Silva. Em 2020, Ricardo Santos, Ricardo Melo Gouveia e Tomás Bessa. Em 2021, Ricardo Santos, Vítor Londot Lopes e Tomás Melo Gouveia, estes dois últimos a carimbarem um recorde pessoal, pois nunca se tinham qualificado para o fim de semana em Vilamoura.

Olhando para estes nomes, verificamos que Ricardo Melo Gouveia e Ricardo Santos são recorrentes e, de facto, são os mais bem-sucedidos no único torneio português do European Tour: “Melinho” passou o cut em oito ocasiões e Ricardo Santos fê-lo hoje pela quinta vez, passando a ser o segundo melhor português nesta competição.

Os irmãos Melo Gouveia, Santos e Londot Lopes têm ainda outro ponto em comum: todos foram grandes figuras das famosas esquipas amadoras do Clube de Golfe de Vilamoura, um autêntico viveiro de campeões no golfe nacional. Aliás, Londot Lopes continua a representar Vilamoura enquanto profissional. Santos, por seu lado, foi, durante vários anos um dos embaixadores no European Tour do Dom Pedro Victoria Golf Course. 

Conhecer o campo desenhado pelo saudoso Arnold Palmer é importante e Nino Bertasio sabe-o bem. Está a competir no Portugal Masters pelo sexto ano seguido. Só uma vez falhou o cut e chegou a ser 12.º (-12) em 2017. «Adoro isto, o campo é bom, o tempo também, a comida é espantosa, o hotel é simpático. É um campo em que sei que se jogar bem irei fazer bons resultados», disse, depois de admitir que não foi fácil de gerir as emoções de ontem: «Não vou mentir que foi difícil, com tantas mensagens, as redes sociais, mas foi uma boa segunda ronda. No fim de semana é como se fosse outro torneio a começar e estou pronto».  

O único aspeto de que se queixou o líder foi não ter metido muitos putts e esse foi um problema sentido também por muitos dos portugueses. Ricardo Santos, de 39 anos, chegou a andar no top-20 quando se viu com 3 pancadas abaixo do Par na segunda volta (4 no total), graças a birdies nos buracos 3, 4 e 8. Terminou o 36.º buraco com 69 pancadas, 2 abaixo do Par, após 5 birdies e 3 bogeys, o último deles no 18, de novo devido a ter sido forçado a chipar do rough, como já tinha sucedido ontem (quinta-feira) a Pedro Figueiredo e Pedro Clare Neves. Aquele rough do 18 à volta do green é temível e tem sido amaldiçoado para os portugueses.

«No 18 tive azar no “lie” da bola e não podia arriscar jogar direto à bandeira, nem se quer ao meio do green. É um chip sempre muito complicado porque não queres cometer um erro grave para fechar. E tendo água depois, com os greens rápidos, com aquele rough à volta do green que não é consistente e não sabes como a bola vai reagir. De qualquer forma foi uma volta muito boa e senti-me muito melhor em campo», disse o campeão nacional de 2011 e 2016, que acrescentou ter tido «mais oportunidades de birdie». 

Tomás Melo Gouveia, de 27 anos, começou logo com 2 birdies nos buracos 11 e 12 (saiu do 10). É verdade que depois teve uma série de bogey-birdie-bogey-Par-bogey nos buracos 15, 16, 17, 18 e 1, mas mostrou muita fibra ao recuperar com mais birdies no 5 e no 9. As 69 pancadas, 2 abaixo do Par, passam a ser o seu melhor resultado de sempre no torneio, sendo a primeira vez que joga abaixo do Par em oito voltas disputadas no Portugal Masters.

Motivos mais do que suficientes para celebrar, até porque esteve a jogar com outro algarvio, havia imensos fãs a recebê-los no último buraco (hoje o 9) e os jogadores brindaram-nos com birdies: «Nunca tinha passado o cut e nunca tinha estado realisticamente perto de passá-lo. É um espetáculo ter tanta gente atrás de nós a dar-nos apoio. Hoje “patei” pior, mas nos segundos nove buracos meti dois putts grandes que já me deixaram mais descontraído. Mas só falhei dois fairways e dois greens, portanto, foi uma volta muito sólida e estou muito contente».

Tomás Melo Gouveia tinha prognosticado que, se calhar, iria jogar pela terceira jornada seguida com Vítor Lopes e é isso mesmo que irá suceder amanhã. Londot Lopes converteu 3 birdies como ontem (17, 2 e 9), mas, em contrapartida, só perdeu uma pancada em 18 buracos. Está mentalmente forte. 

Tal como o mais novo dos Melo Gouveia, 69 (-2) é o seu melhor resultado de sempre em oito voltas no Portugal Masters e a primeira vez em “números vermelhos”. Foi sempre um jogador de birdies (16 nas três participações anteriores e ainda 1 eagle), mas perdia demasiadas pancadas (18 bogeys e 4 duplos no somatório de 2017, 2018 e 2020). Agora, nota-se que está muito mais consistente.

«Treinei bem para este torneio. Nunca me tinha sentido tão bem preparado. Acertei bastantes greens e fairways. Falhei alguns shots talvez pelas emoções, mas consegui controlar-me com o ótimo apoio do público. Nunca tinha passado o cut no meu “home course”, soube-me muito bem ter o público a apoiar-me. Puxámos um pelo outro. Senti que estava no Portugal Masters, mas era mais uma volta com o meu amido Tomás. Talvez isso tenha acalmado um pouco as emoções», afiançou Vítor Lopes, de 25 anos, dois anos 

Em relação aos três portugueses que falharam o cut (entrevistas completas na conta de Facebook do Portugal Masters), destacou-se Pedro Figueiredo, de 30 anos, por ter encerrado a sua época no European Tour. 

“Figgy” nem começou nada mal, com 1 birdie no 11 (saiu do 10), mas foi muito penalizado com uma série negativa de duplo-Par-duplo-bogey nos buracos 12, 13, 14 e 15. Os 2 birdies no 4 e no 7 não foram depois suficientes. 

Os 2 duplos-bogey do campeão nacional de 2013 ficaram a dever-se a bolas na água, exatamente o mesmo problema de Filipe Lima nos buracos 14 e 18. O português residente em França, de 39 anos, jogou bem, esteve várias vezes dentro do cut provisório, ainda fez 3 birdies 10, 12 e 15), mas também ele fecha agora a época. O campeão nacional de 2017 prometeu voltar para o ano para o Open de Portugal e de novo para o Portugal Masters, mas admite que poderá ter sido a sua despedida do torneio, caso a FPG deixe de oferecer-lhe um convite.

Bem diferente a situação de Pedro Clare Neves, o amador de 21 anos, que reconheceu ter vivido um dia difícil de engolir. Tal como ontem, ainda fez 1 birdie (17), mas estava, naturalmente triste pelo resultado agregado de 20 acima do Par. De qualquer forma, o estudante de Economia da Universidade Católica do Porto valorizou a experiência de ter-se estreado no European Tour e espera poder repeti-la.

Foto: Jorge Gomes (Click Time Photo®©)

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